sábado, 30 de março de 2013

Como o Brasil pode ser o maior exportador de soja do mundo diante da precariedade do seu transporte



Maior exportador de soja mundial: este é o patamar a que o Brasil deverá chegar se ultrapassar a produção de soja dos EUA, o atual líder neste setor. Em termos de produtividade tal fato não está longe de se concretizar, mas se analisarmos a infraestrutura dos sistemas de transporte, responsáveis por transportar os produtos brasileiros às nações compradoras, o Brasil ainda pode permanecer um bom tempo sonhando em ser o líder de exportações de soja.

Isso se deve a um cenário que vem se deteriorando gradativamente: a precariedade de ferrovias, hidrovias e portos para escoamento e exportação de produtos. Em março muitos veículos midiáticos ressaltaram a defasagem no processo de transporte dos itens a serem exportados. Somente nos primeiros meses de 2013, por exemplo, 4,5 milhões de toneladas de milhos a mais foram despachadas para exportação, o que significa cerca de 15.400 viagens extras de caminhões. Com o aumento da demanda, trajetos percorridos em quatro dias acrescidos em dois a seis dias.

O fato de estarmos em tempo de colheita e ainda marcado pela supersafra brasileira de grãos seria um excelente estímulo para alavancar ainda mais as exportações – principalmente num período em que nações poderosas têm suas economias comprometidas pelos tentáculos da recessão econômica, que continua a assombrá-las, e veem no Brasil uma ótima opção para importação a bons custos – mas o entrave existente no trajeto da exportação brasileira causa grande reversão neste cenário positivista.

Com a reduzida quantidade de ferrovias e hidrovias funcionando adequadamente, a maior parte dos produtos chega aos portos por meio das rodovias. Todavia, o trajeto e as condições das estradas não é de modo algum facilitador para o andamento da comercialização do agronegócio brasileiro, já que temos um crescimento quase que explosivo de um único setor de transportes, com o foco no modo rodoviário, que acaba se tornando supersaturado e acarretando em um imenso tráfego de caminhões. Sendo assim, no período da colheita, o número de carretas se torna muito superior à capacidade dos portos de embarcar toda a produção trazida, contribuindo para um verdadeiro caos logístico no setor.

Para agravar ainda mais a situação, com a ausência de silos – estruturas destinadas ao armazenamento de parte da produção – a safra precisa ser escoada imediatamente após a sua colheita, tarefa que se torna quase uma missão impossível diante da precariedade do transporte nacional. Todos estes fatores contribuem não somente para o acréscimo de custos, como também para a perda de parte da produção, que estraga entre a demora de trajeto e a espera prolongada.

Não é de hoje que a infraestrutura logística brasileira clama por reformas e investimentos que promovam a adequada melhoria aos diversos setores nacionais como o portuário, rodoviário e hidroviário os quais, desde a década de 80, se encontram em carência progressiva de fomentos necessários para suas expansões e qualificações. Tanto a gestão FHC quanto a gestão Lula se mostraram incapacitadas para lidar com a precariedade dos transportes e o problema foi apenas se expandindo de modo a atingir patamares extremamente prejudiciais para a situação brasileira, tanto interna quanto externamente.

A estatização também não se mostrou eficiente no aumento de investimentos: o excesso de aparatos burocráticos imposto pelo governo sobre quaisquer medidas a serem adotadas para promover melhorias na infraestrutura é verdadeiro obstáculo para que estradas, ferrovias e portos tenham suas condições melhoradas.

No que concerne às privatizações ou aos PPPs – Parcerias Públicos Privadas – destaca-se a volúpia da iniciativa privada pelo lucro a qualquer preço, não importando a qualidade do produto ou do serviço prestado, sem contar a corrupção brasileira que se tornou algo maligno perpetrado no sistema produtivo brasileiro – seja privado ou público – prejudicando-o em diversas áreas em razão dos vícios na fiscalização dos serviços, inúmeros desvios de dinheiro e superfaturamento de contratos.

Portanto, o clima é caótico por enquanto: rodovias esburacadas, pequena quantidade de trens de carga em circulação e um péssimo controle da movimentação da embarcação e desembarcação nos portos – medidas como a adoção de um sistema de agendamento para o desembarque de caminhões deveriam ser adotadas em áreas de grande movimentação, como Santos, por exemplo. Paranaguá já adotou tal sistema e as filas de carretas para despacho foram reduzidas a metade neste ano. Mesmo assim, tal medida careceria de locais, como pátios e estações de transbordo, para que os caminhões aguardassem a hora agendada, o que requer investimentos.

Todavia, depois de 10 anos no poder, o governo petista parece ter se conscientizado da carência do setor de transportes em termos infraestruturais. No ano passado a presidente Dilma anunciou uma série de medidas referentes à privatização de serviços feitos nos setores ferroviário e rodoviário. Tal atitude realmente parece ser a mais favorável, tanto para os investimentos neste setor, quanto para outros. Vivemos um momento em que os conceitos de privatização e estatização não podem ser pensados de modo completamente distintos, já que tanto um quanto outro são imprescindíveis para manter as engrenagens do desenvolvimento brasileiro em pleno funcionamento, devendo trabalhar de forma complementar um ao outro.

Outra medida adotada pela presidente Dilma foi a criação de uma nova lei que incentivará a construção de portos totalmente privatizados. Atualmente é permitido que apenas sejam concedidos ao setor privado os terminais portuários, enquanto que a administração e a propriedade destes são responsabilidades do governo – algo que pode dificultar o andamento deste setor em razão da já citada burocracia estatal. Em relação às concessões aos investimentos privados, por exemplo, o governo resiste em aceitar a rentabilidade mínima exigida pelos empreiteiros para executar os projetos, como citado em parágrafos anteriores.

Contudo, mesmo os esforços concentrados na gestão Dilma Roussef e os planos implementados pelo Ministério dos Transportes se mostram insuficientes para suprir as necessidades do setor, a expectativa gerada em razão de tais medidas adotadas pela presidente parece se abrandar cada vez mais, já que a concretização delas anda a passos de tartaruga e, mesmo que agilizadas, não resolveriam os problemas a curto prazo, mormente neste cenário de crescimento e demandas aceleradas, o que é um fator preocupante às pretensões comerciais brasileiras.

O país já sente na pele as consequências desta carência em investimentos. Em março de 2013, por exemplo, o grupo chinês Sunrise – que faz negociações comerciais com o Brasil – anunciou o cancelamento da compra de 2 milhões de toneladas de soja brasileira, em razão do atraso nos embarques ocasionado pelo congestionamento dos portos. Isso não é nada perto do que estará por vir se soluções não forem adotadas.

Enfim, implantar regras importantes para alavancar o crescimento econômico é essencial, todavia, mais relevante ainda é concretizar tais medidas. E o aumento de investimentos adequados na infraestrutura do transporte brasileiro é algo que já ultrapassou o prazo para ser realizado.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

terça-feira, 12 de março de 2013

Vai-se Hugo Chávez, fica-se um rombo na economia venezuelana



Depois de 14 anos no poder, o povo venezuelano deu adeus ao seu presidente Hugo Chávez, no último dia 5. Após passar pela quarta cirurgia em Cuba, como parte do tratamento de um câncer que ele desenvolveu há dois anos, Chávez não resistiu a algumas complicações respiratórias e faleceu aos 58 anos de idade.

Com a morte do presidente, seu vice Nicolás Maduro assumiu o posto presidencial e permanecerá no cargo até a convocação das novas eleições presidenciais, que deverão ocorrer em 30 dias. Tanto o governo de Chávez – que lidera e certamente tem a maior probabilidade de continuar no poder – quanto a oposição enfrentarão um verdadeiro abismo econômico, que foi se formando gradativamente e ganhou imenso formato nos últimos anos.

Marcada pela predominância do regime socialista, a Venezuela vem tentando se equilibrar numa corrente econômica desgastada, regida por governos ditatoriais e gestões ultrapassadas, que estacionaram nos tempos de Guerra Fria, sendo altamente exploradas pelo regime capitalista e neoliberal, isoladas do mundo globalizado.

Todavia tal cenário não foi páreo para conter o poderio chavista e sua longa permanência no poder. Basta analisarmos o contexto histórico para entendermos melhor o motivo do desencadeamento deste fator.

Caracterizada como uma economia predominantemente agrícola até o período da Primeira Guerra Mundial, a Venezuela sofreu uma transição econômica que passou a se centrar na extração e exploração petrolífera. Tal atividade passou a ser responsável por 80% das exportações e mais da metade do financiamento da máquina pública. Com a recessão de 1999, o preço internacional do petróleo sofreu uma grande alta, o que contribuiu para alavancar ainda mais a economia venezuelana. Sendo assim, neste ano, quando Chávez foi eleito, a Venezuela era a menina dos olhos para o mercado petrolífero mundial num cenário econômico sustentado pela exportação petrolífera, cuja riqueza gerada era muito mal distribuída e se concentrava nas mãos de uma reduzida elite existente e com a predominância de uma massa paupérrima.

O governo Chávez tinha como plataforma política a conversão de parte dos lucros do petróleo em avanços sociais e optou por reduzir investimentos petrolíferos, direcionando parte do lucro gerado para financiar programas sociais, subsidiando as principais necessidades da massa venezuelana – constituída majoritariamente pelas classes sociais desfavoráveis – conquistando-a cada vez mais e – reduzindo a remessa de divisas para o exterior – contrariando os interesses financeiros o os lucros cada vez maiores das petrolíferas estrangeiras.

Como consequência, com o alimento de cada dia garantido, essa grande massa foi aumentando seu apreço pelo líder venezuelano, o que lhe rendeu dividendos eleitorais, fortalecendo sua permanência no poder, à medida que a oposição se enfraquecia gradativamente.

Tendo maioria absoluta na Câmara, para alcançar seus objetivos e vencer a estrutura de poder das petrolíferas instaladas no país, Chávez optou por uma estratégia de força: desde sua entrada no poder, o ex-presidente populista fechou inúmeras empresas privadas, sem falar no controle imposto sobre toda a imprensa, que teve diversos veículos fechados por publicarem notícias desfavoráveis ao governo chavista – a preocupação em promover uma imagem positivista do país, mesmo que totalmente distorcida da realidade, era o principal foco do ex-presidente em busca de sua eternização no poder.

Todavia, havia uma pressão fortíssima dos países industrializados para a desvalorização da moeda, visando à queda nos preços do “ouro negro”, fazendo com que, no início de 2002, o presidente empossado Pedro Carmona – empresário do petróleo oriundo da Fedecâmaras (Federação das Indústrias da Venezuela) –, por meio de um golpe de estado financiado pelos EUA, que culminou na prisão do presidente eleito Hugo Chávez, alterasse a taxa de juros fixa por um sistema de câmbio flutuante. Tal medida contribuiu para desvalorizar sobremaneira o bolívar, a moeda nacional da Venezuela, e agravar a situação financeira, o que prejudicou a geração de lucros da nação chavista e, consequentemente, a arrecadação proveniente da exportação do petróleo sofreu temporariamente uma considerável redução, mas que favoreceu aos detentores deste monopólio.

Em uma nação cuja economia é praticamente controlada pelo intervencionismo estatal – a diminuição da principal geração de lucro da Venezuela reduziu a produtividade e provocou aumentos inflacionários que se revelaram misteriosos, já que Chávez sempre ocultou os verdadeiros valores das taxas inflacionárias e crescimento do PIB.

Sendo assim, mesmo com a produtividade em baixa e uma necessidade de maiores recursos financeiros para se investir no país, reinvestido do poder após uma revolta da população defronte ao Palácio Miraflores contra o golpe de estado estadunidense, Chávez optou pela redução dos preços no setor de serviços, incluindo o valor do combustível, para não mexer no bolso da população. Resultado: os preços não se elevaram, mas também não houve muitas opções disponíveis de produtos já que, com a redução produtiva e de recursos para importação, formaram-se tremendos buracos nas prateleiras dos mercados, devido à falta de produtos, agravando mais ainda o abismo econômico venezuelano.

Um questionamento que certamente assola a mente de muitos é o porquê, mesmo com toda sua tirania e intervencionismo, Chávez partiu deixando incontável número de venezuelanos que praticamente o idolatravam. A resposta é simples: para uma nação de oposição tão enfraquecida como a Venezuela, em que praticamente a única opção de voto era Hugo Chávez, que soube influenciar e persuadir a mente populacional, não foi nada difícil conquistar tantas pessoas.

Além disso, o ex-presidente ficou conhecido por promover uma certa reversão da situação de acentuada exploração da Venezuela cometida pelos países desenvolvidos como Inglaterra e EUA – que estabeleceram seus poderes hegemônicos sobre diversas nações desfavorecidas e geradoras de petróleo, marcadas por extrema miséria, submetendo os exploradores a situações praticamente escravagistas para gerar pequenos lucros a uma pequena elite dirigente em troca da importação petrolífera.

Ao entrar no poder venezuelano, o movimento chavista foi mudando um pouco, de forma gradativa, essa situação no país ao obrigar as petrolíferas a reverterem 3% da arrecadação em petróleo para ações sociais, reduzindo a desigualdade social, mas ainda sem conseguir reverter o estado de pobreza.

Sem contar que o ex-presidente sempre optou por ajudar a população ao seu modo: oferecer as condições necessárias à maioria esmagadora da população, composta por pessoas menos favorecidas, de modo a não fomentar o crescimento da classe média e alta por meio de investimentos em educação, por exemplo. O motivo: ter o mínimo de sujeitos pensantes e opinativos possíveis, pois quanto mais informados, maior o perigo que representariam ao governo chavista. O sucessor de Chávez que se cuide agora para combater tantos problemas.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Por que o Governo Federal não consegue reduzir o crescente aumento do custo industrial brasileiro?



Uma pesquisa divulgada na mídia pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – Iedi – em fevereiro de 2013, revelou que o custo de trabalho na indústria brasileira registrou um aumento recorde em 2012: trata-se de uma alta de 6,6% - a maior em 11 anos, desde que a pesquisa começou a ser feita - que corresponde ao dobro do aumento registrado em 2011, de 3,2%.

Diante de tais estatísticas, há de se perguntar por que o setor industrial brasileiro se encontra nesta fase, diante do crescimento financeiro da nação. Enquanto a economia de muitos países, principalmente dos desenvolvidos pertencentes ao continente europeu, ainda patina amadoramente, tentando se equilibrar e se livrar de vez dos tentáculos da crise econômica de 2008, o Brasil pode respirar muito mais aliviado neste cenário de tensão mundial contando, para isto, com a ajuda de suas reservas monetárias e ascensão das classes sociais que contribuem para o enriquecimento da nação.

Portanto, se o Brasil tem sido a menina dos olhos nos palcos da economia mundial, é preciso analisar mais a fundo o que tem ocorrido dentro dos setores que sustentam a economia nacional. Apesar do cenário altamente positivo para o desenvolvimento do país, sua linha econômica ascendente, que vem se destacando desde 2008, parece perder cada vez mais fôlego - mantendo-se agora praticamente estagnada.

Como já abordei em postagens anteriores neste blog, agora o governo brasileiro parece sentir com maior intensidade os efeitos da crise, apesar do Brasil se manter em destaque sobre muitas outras nações e, a fim de tomar medidas para alavancar a economia, em 2012 a presidente Dilma incentivou a oferta de crédito e baixou os juros – para ajudar no estímulo ao poder de compra populacional.  Ciente de que reservas financeiras não duram eternamente, ela se conscientizou da necessidade de redução de gastos governamentais para aliviar o caixa monetário, mas, para isso, não seguiu o caminho mais apropriado ao se preocupar em reduzir a produtividade, indispensável para a manutenção das “engrenagens econômicas brasileiras”, e manter o valor do imposto acima da média tolerável.

Ou seja, a população manteve o pagamento do nível de tributação e sofreu com a redução da oferta que não supriu toda a demanda. E com o setor industrial não foi diferente, já que este também sentiu os pilares de sua estrutura serem afetados pela diminuição de investimentos na produção. Segundo o Iedi, esse é um dos fatores que contribuíram para o aumento do custo industrial, pois, diante deste quadro, a redução produtiva também acarreta numa consequente diminuição dos lucros, seja no âmbito nacional ou internacional, já que os produtos importados sairão muito à frente em termos de competitividade.

Outro fator apontado pelo Iedi para o aumento de custos industriais envolve a elevação média de 5,8% nos salários dos funcionários. Mesmo com a produtividade em queda e pressionada pela competitividade, a indústria optou por não demitir alguns empregados - a fim de cortar despesas - e arcar com o aumento salarial.

Isso se deve à falta de mão de obra qualificada no mercado brasileiro atual. Com um setor de serviços muito bem fortalecido e em constante evolução (proporcionando diversos benefícios aos trabalhadores), são inúmeros os cidadãos que se veem muito mais atraídos por este ramo do que o industrial.

Ademais, a ampliação de mecanismos de acesso ao ensino contribui para que muito mais pessoas aprimorem seu currículo e busquem maiores oportunidades. No entanto, o Brasil herdou graves problemas no setor de Educação, principalmente no final da década de 90, não somente pelo desestímulo à formação de professores, sucateamento dos aparelhos de ensino, como por uma mudança na educação em termos muito mais quantitativos do que qualitativos.  

Tal fator ocorreu em razão do aumento do número de faculdades e universidades particulares e da ampliação da oferta de cursos para que mais brasileiros se formassem, sem que houvesse a mínima preocupação com a qualidade destas instituições, do nível do corpo docente e desses cursos, jogando um número cada vez maior de graduados sem a devida qualificação no mercado, ao nível do que este necessita - em contrapartida, o amplo leque de ocupações oferecido pelo mercado de trabalho brasileiro atual leva, de qualquer forma, a uma maior escassez de mão de obra.

Caberia não somente ao governo atual - e os que vierem a sucedê-lo - efetuar uma ampla requalificação do ensino, como os empresários investirem na capacitação e treinamento adequado desta mão de obra, proporcionado incentivos, como nos exemplos proporcionados há décadas atrás pelas Federações e Confederações do Comércio e da Indústria - os sistemas SESI, SENAI, SENAC, etc.. espalhados pelo país.

Em 2012, o Governo tentou atenuar o problema de custos e da competitividade para a indústria ao anunciar medidas como a redução da conta de luz, diminuição dos impostos sobre salário, queda dos juros e interferência cambial. Porém, com uma acentuada limitação na produtividade, acompanhada pela escassez da mão de obra no mercado - que praticamente impossibilita algumas demissões, o que em tese acabaria ocorrendo no momento atual, diante do aumento de salário e orçamento em geral – não há medida, de mesmo âmbito das mencionadas acima e implantadas pelo governo, que facilitará o bolso do setor industrial.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Governo Federal arrecada 1,5 trilhão de reais em impostos: para onde vai o dinheiro?




Um trilhão e meio de reais! Essa “simples” quantia, cuja real mensuração já é difícil imaginar, corresponde ao valor que foi parar nos caixas do governo brasileiro em 2012, graças à contribuição tributária de cada empresário, produtor e trabalhador no Brasil.

Diante de tal valor é de se estranhar que, mesmo que ele tenha se saído muito melhor do que muitos outros países na crise econômica internacional, o Brasil foi afetado por alguns fatores como intensa desaceleração do PIB, redução da produtividade e do investimento em infraestrutura. Ou seja, o famoso trilhão não foi páreo para acelerar todos os pilares de desenvolvimento nacionais.

Analisando a situação de acordo com o senso comum podemos tachá-la de incabível, mas, antes de qualquer julgamento, é necessário fazer um desdobramento dos setores que regem a economia nacional e necessitam de arrecadação tributária. Além dos gastos necessários com a infraestrutura, existe uma séria de áreas que provocam a redução dos cofres nacionais de modo até mesmo exagerado. São gastos com a máquina pública, aposentadoria e seus benefícios, salários de servidores, entre outros...

Aqui abro um parênteses para ressaltar que, antes que surjam errôneas interpretações, não digo que gastos com aposentadorias, por exemplo, possam ser taxados de exagerados, mas que existem outros setores como Educação, Segurança e Saúde que necessitam de investimentos urgentemente.

Mais alarmante do que a quantidade de verbas para cada setor nacional é a administração delas de modo a aplicar adequadamente cada centavo gerado pelo povo brasileiro. Uma boa gestão administrativa é requisito fundamental para o desenvolvimento da nação, mesmo que em alguns momentos ela esteja com verbas abaixo do necessário para os devidos investimentos, pouco dinheiro bem aplicado surtirá muito mais resultados do que grandes quantias financeiras mal administradas, pois apenas parte destas chegarão – se chegarem – aos seus devidos destinos.

Portanto, há de se levar em conta que o Brasil enfrenta uma série de entraves que dificultam a aplicação devida das verbas. Além da falta de uma gestão mais qualificada, os excessos burocráticos na concretização dos projetos, as dívidas públicas, a lentidão no licenciamento ambiental e a tão famosa corrupção brasileira, que já tomou como lar o Congresso Nacional e as demais casas executivas e legislativas brasileiras, são os principais motivos que podem justificar, por exemplo, porque o tal trilhão não foi suficiente para arcar com todos os gastos necessários. Há, portanto, que se adotar em todo o país urgentemente um choque de moralidade.

Em 2012 a presidente Dilma, visando cortar gastos reduziu investimentos e, consequentemente, a produtividade brasileira. No entanto, o Brasil não podia se estagnar economicamente e o Governo Federal incentivou a oferta de crédito e a redução dos juros bancários para que a população continuasse consumindo e proporcionando lucros para o Brasil.

Resultado: com o aumento do consumo e a queda na produtividade houve um déficit que acarretou no aumento dos preços e inflação acima da meta. Além disso, com a redução dos juros e menor controle sobre os empréstimos, o número de inadimplentes cresceu, impactando significativamente o consumo brasileiro.

Mas a presidente continuou focada na redução dos gastos e resolveu reduzir as tarifas de energia para aliviar o bolso da população. Antes que ela dissesse a palavra “redução”, o termo “racionamento” já começou a ser ressuscitado, pois o setor energético também foi afetado pela redução dos investimentos – face à não aplicação dos recursos embutidos nas tarifas para honrar os  compromissos de investimentos no sistema firmados quando das concessões dos serviços, em 1997 – e, aliado à fatores climáticos que provocaram uma redução dos reservatórios das hidrelétricas, redundou na queda na produção, e consequentemente na oferta de energia.

O setor petrolífero foi outro afetado pela queda nos investimentos. A Petrobrás expôs ao governo a necessidade de um aumento no preço dos combustíveis em razão dos grandes atrasos de exploração do petróleo. Não teve alternativa, e na semana passada a presidente Dilma sucumbiu ao pedido da empresa e decretou o aumento no preço dos combustíveis.

Todavia, não há nada melhor do que aliviar o bolso do contribuinte brasileiro, sem que para isso seja necessário reduzir a produção e todos os demais responsáveis pelas engrenagens da economia brasileira. Uma boa gestão administrativa, sem prescindir de um choque de moralidade, contribuiria para que isso ocorresse e os trilhões chegassem ao seu devido lugar.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Inflação demais, investimento de menos



O ano de 2012 encerrou com uma taxa inflacionária de 5,84%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA . Trata-se de um resultado que se mantém acima da meta oficial de 4,5% pelo terceiro ano consecutivo.

No ano em que nações desenvolvidas sentiam fortemente o impacto da crise, a presidente Dilma buscou valorizar o consumo interno nacional e, com o objetivo de reduzir gastos dos cofres brasileiros, baixou juros e reduziu investimentos em setores importantes para o desenvolvimento do país, como o elétrico. Se o governo federal temia um gasto excessivo do dinheiro público, tal temor não implicaria necessariamente numa redução de investimentos e também da produtividade comercial, por exemplo, algo que acabou ocorrendo pois, com o incentivo ao consumo ocasionado principalmente pela oferta de crédito, a quantidade de produtos não foi suficiente para atender o crescimento desenfreado da demanda nacional.

Diante dessas circunstâncias, 2013 já chega com reajustes de preços elevados para o consumidor. É sabido que gastos excessivos não são nada bem vindos para as reservas monetárias do Brasil, entretanto é relevante que os setores importantes para o desenvolvimento do país não sejam negativamente afetados com redução de investimentos. Portanto, o diagnóstico para esse complexo mapeamento econômico está num problema que na verdade não se resume a falta de recursos financeiros, mas sim à falta de uma boa e qualificada gestão administrativa.

O Brasil ainda possui um dos índices de inflação mais altos do mundo. Trata-se de um valor muito maior do que países como Chile, Colômbia e Peru, onde as taxas inflacionárias não correspondem nem à metade da brasileira e o crescimento destas nações é o dobro do brasileiro. Sendo assim, parece mesmo haver pequenas falhas a serem ajustadas na gestão governamental do nosso país.

 Setores como o elétrico não podem deixar de receber importantes investimentos para que mantenham o nível produtivo. Mas, contrariando tal lógica, o governo optou pela redução do fomento financeiro a esta área. Resultado: este fator, aliado à queda do índice pluviométrico e ao aumento das secas, contribuiu para uma drástica redução dos reservatórios de água e para o temor de um novo racionamento energético.

E, para dificultar ainda mais o incremento da produção energética nacional, o Brasil precisa lidar com a questão do licenciamento ambiental, que impõe restrições à construção de novas hidrelétricas com reservatórios. Para contornar os entraves impostos pela legislação, o governo tem incentivado a criação de usinas a fio d’água – não possuem represas, eliminando grandes áreas alagadas provocadas pelas cheias dos reservatórios, mas estes são responsáveis por ajudar a regularizar o sistema nos períodos mais secos – e sem eles a situação se complica ainda mais para gerar energia nestes momentos de queda das chuvas.

Portanto, se o peso da questão tributária se torna muito mais incômodo até mesmo para o desenvolvimento do empreendedorismo nacional, nada melhor do que reduzi-lo, a fim de agilizar a produtividade, permitindo que a demanda seja atendida, gere mais lucro para os caixas nacionais, impedindo um aumento violento dos preços. Para isso, é premente que certos governos estaduais façam sua parte, reduzindo impostos escorchantes e equilibrando a batalha da guerra fiscal, que estão perdendo para estados que não praticam uma carga tributária tão elevada, como em setores de telefonia e energia, e reduzam tributos como o ICMS, da ordem de 33%, ou o IPVA, cuja alíquota em São Paulo chega a ser o dobro de estados vizinhos, promovendo uma evasão de divisas.

Existe ainda outro quesito que, aliado ao tributarismo, se torna um verdadeiro entrave para a competitividade e crescimento das empresas que se lançam no mercado: a burocracia estatal, um verdadeiro bicho papão para muitos empreendedores, que chegam a levar anos para abrir o próprio negócio, em razão das inúmeras exigências burocráticas.

Taí, portanto, dois fatores que podem explicar por que nações vizinhas estão à nossa frente em desenvolvimento com uma inflação muito menor.
Em agosto de 2012 a presidente Dilma anunciou algumas medidas determinantes para acelerar o nosso crescimento e combater esse peso burocrático, contrariando até mesmo ideologias de integrantes de seu próprio partido: a privatização de aeroportos e serviços prestados aos setores ferroviários, rodoviários e portuários.

Porém, grande parte destas metas – no que tange a concessão do governo a empresas privadas de serviços em ferrovias, rodovias e portos – ainda precisa desenvolver muito. Dilma Roussef está no terceiro ano de seu mandato e ainda há muito o que cumprir. Seu primeiro ano de estreia na presidência sofreu conturbações em razão das demissões de vários ministros que estão sendo investigados por improbidade administrativa e pelo desvio de verbas dos cofres públicos, entre outros crimes de corrupção.

Já em 2012 o governo passou um bom tempo preocupado em investir nas campanhas eleitorais municipais. Resta agora saber como se desencadearão os próximos dois anos de gestão da nossa presidenta e se o corte nos gastos será feito da maneira mais adequada. Por enquanto ainda não estamos vivendo o cenário ideal de racionamento monetário. Vamos aguardar para ver quais serão as próximas ações concretas a favor do crescimento econômico do país. Pois algumas metas nesse sentido já conhecemos, só falta as ações para cumprí-las saírem do papel.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

domingo, 30 de dezembro de 2012

Queda do desemprego no Brasil: um bom fator que poderia ser ainda melhor para o país



Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – detectou que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 4,9% em novembro deste ano, em relação a 5,3% em outubro. Desde 2002 este é o menor valor já registrado, com exceção de dezembro de 2011, onde se apontou uma taxa de 4,7%.

Em ano de intensa crise econômica, principalmente nos países europeus, o Brasil conseguiu se equilibrar na corda bamba da recessão econômica de 2008, fato cujo reflexo vem promovendo agravantes entraves financeiros até os dias de hoje. Não obstante, a nação brasileira não saiu ilesa dos tentáculos ocasionados pela crise, que começou com o estouro da bolha imobiliária norte-americana, já que o Brasil sofreu uma acentuada redução econômica em relação aos anos anteriores e o valor de seu Produto Interno Bruto - PIB – se manteve praticamente estagnado.

Todavia, se considerarmos as grandes dificuldades enfrentadas pelo continente europeu e pelos EUA, por exemplo, com o elevado número de dívidas financeiras e as consequentes exigências de cortar gastos, numa tentativa de salvar suas respectivas economias por meio de racionamento de empregos e benefícios para funcionários, veremos que o Brasil não se encontra em uma situação ruim.

Ao analisarmos o quesito desemprego, por exemplo, vemos que o país se saiu bem no cenário mundial diante do alto índice de desempregados concentrado principalmente em nações como Espanha, Grécia e Itália, que passaram por um ano conturbado, repleto de manifestações pelas ruas diante da insatisfação popular com a péssima situação do mercado de trabalho europeu, além de cortes de benefícios e diminuição de aposentadorias.

Mas ao focarmos o desenvolvimento brasileiro e sua estagnação econômica – que não foi tão grave como lá fora, permitindo que o Brasil continuasse seguindo o seu caminho sem a necessidade de racionamentos financeiros bruscos – e toda a recessão, que de certa forma também nos afetou e criou entraves para a comercialização no exterior, somos levados a questionar os fatores que contribuíram para que a empregabilidade brasileira estivesse em um patamar tão bom diante do panorama mundial.

Podemos levantar algumas possíveis hipóteses para esse questionamento: com a chegada do fim de ano, cresce o número de vagas temporárias dentro da área comercial, o que acarreta em maiores contratações.

Outro motivo é que talvez o custo da mão de obra, mesmo com os aumentos salariais, sofra uma redução em razão das novas desonerações da folha de pagamento – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um pacote de medidas em que o setor da construção civil, por exemplo, pagará uma contribuição de 2% sobre o seu faturamento, em troca dos 20% do pagamento da contribuição das empresas para o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. O objetivo de tal medida é a geração de novos empregos na área.

Há ainda de se considerar que parte desta queda no desemprego se refere à relação custo-benefício das empresas em relação às demissões, já que muitas acabam saindo no prejuízo ao demitirem seus funcionários, pois terão de arcar com outras despesas como férias e a multa do FGTS e ainda lidar com as dificuldades de contratar novos empregados treinados. Sendo assim, muitas optam por manter seus empregados, mesmo que estes proporcionem menor produtividade, já que no frigir dos ovos obtêm resultados mais vantajosos.

Mas aqui abro um parêntese para ressaltar que o gasto no setor industrial se mantém extremamente elevado, mesmo que muitas empresas cheguem à conclusão que demissões, nas proporções devidas, trariam mais prejuízos financeiros. Uma pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP – ressaltou que, além dos excessivos gastos tributários, as indústrias desembolsam cerca de 7,5 bilhões de reais por ano em benefícios para funcionários, que incluem serviços de saúde, previdência e assistência (como, por exemplo, auxílio creche e berçário).

Em um país onde a tributação tem um dos valores mais altos do mundo e o brasileiro trabalha quase cinco meses por ano apenas para pagar impostos, é no mínimo surpreendente que as indústrias ainda tenham de desembolsar tantos bilhões para bancar tais opções aos serviços públicos, sendo que parte desta verba poderia ser bancada com os recursos provenientes da carga tributária.

Enfim, entre estes e outros fatores responsáveis pela diminuição do desemprego, não podemos deixar de elogiar a valorização do comércio interno que faz parte das medidas adotada pela presidente Dilma que, diante do enfraquecimento econômico de potências estrangeiras, sugeriu que o Brasil voltasse seus olhos para o próprio umbigo, de forma que a população brasileira ampliasse o consumo de produtos internos, alavancando a economia brasileira.

Porém, o governo tem cometido algumas falhas ao incentivar o consumo e, temendo gastos que possam comprometer o caixa brasileiro, reduzindo investimentos e produtividade, o que, aliado a fatores ambientais e climáticos, implica na falta de produtos suficientes para atender toda a demanda.

Além disso, a presidente tem estimulado incansavelmente a queda dos juros e também da inflação, mesmo que o cenário mundial exija o oposto desta redução, diante da alta das taxas financeiras em outros países, para seguir a tendência mundial.

E mesmo assim, com a elevada quantia de impostos na conta do governo, mais recursos já poderiam se destinar a benefícios para funcionários e, principalmente, a maiores investimentos – que gerariam ainda mais empregos – tão necessários para o Brasil neste momento em diversas áreas como educação, comércio, saúde, segurança, transporte, energia elétrica – o corte nas contas de luz deve ocorrer sim, mas principalmente através dos impostos estaduais. Em estados como São Paulo cobram impostos acima de 33%, tal índice apresenta-se por si só no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – e não da redução produtiva, como a presidente Dilma promoveu.

Portanto, a queda do índice de desempregados é um ótimo resultado para o Brasil, mas poderia estar ainda melhor se o governo conduzisse sua gestão de forma mais adequada. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Por que a troca de poder na China gera suspense em todo o planeta



“Menina dos olhos” no cenário mundial: é assim que muitos países enxergam a China, potência econômica que em 2010 se tornou a segunda maior economia do mundo, atraindo os olhares de investidores oriundos de todos os continentes, preocupados e interessados em fazer alianças que alavanquem suas nações economicamente, tendo a China como uma geradora de riquezas.

Nos últimos dias a tal “menina dos olhos” foi motivo de atenção redobrada por parte das outras nações. A razão para tal fenômeno se deve ao fato das mudanças de poder chinês talvez serem as mais profundas da década. A partir de março de 2013 o novo presidente da China, Xi Jinping, tomará posse ao lado do primeiro-ministro Keqiang, de modo que eles poderão permanecer até 10 anos no cargo.

A troca de poder chinês preocupa várias partes do mundo por uma série de fatores. Um dos principais é que muitas nações, como os EUA e os países europeus, continuam sentindo fortemente os abalos da crise econômica mundial ocorrida em 2008, com o estouro da bolha imobiliária norte-americana. Porém, tais nações viram na China um aliado que pudesse ajudá-los na melhora econômica e por isso a troca de poderes acaba por criar tantas expectativas, já que as nações temem ser desfavorecidas pelos acordos comerciais chineses, caso haja profundas mudanças no regime de Xi Jinping.

Enquanto a existência de conflitos entre a população e o governo se torna rotineira, principalmente em países europeus, onde os cidadãos estão cada vez mais descontentes com as atitudes governamentais – que reduz salários e corta benefícios dentro dos planos de austeridade adotados pelas autoridades no intuito de combater a crise – a China parece seguir uma linha totalmente oposta ao desespero que se abate sobre diversas regiões afetadas pela recessão econômica.

Com tantos anos de história, a nação chinesa vem se destacando intensamente nos últimos anos pela forma como tem implantado sua gestão. O crescimento da mão de obra barata, semiescrava, aliada à estratégia, contestada, de uma política econômica centrada na maxidesvalorização de sua moeda, alavancou cada vez mais a produção nacional, colocando a China na mira das exportações. Almejada por muitas potências mundiais, o país se fortaleceu intensamente nos aspectos econômico e social exportando seus produtos para os quatro cantos do planeta, com custos sem par onde quer que seja.

A China só não contava era com o grande estouro da bolha imobiliária, ocorrido em 2008, que acabaria por impactar, principalmente, nações tão importantes para o desenvolvimento mundial. Mesmo assim, enquanto muitos líderes norte-americanos e europeus quebravam e continuam “quebrando a cabeça” para pensar numa forma que os livrem dos tentáculos da recessão, a China ainda pôde respirar mais aliviada desfrutando de sua riqueza, gerada principalmente pelas intensas exportações de outrora.

No entanto, a situação não tende a ser branda por período indeterminado, afinal os países que estabeleceram negócios com a China não estão em uma zona nada confortável, o que acabou abalando também a estrutura chinesa, que sofreu uma grande queda das exportações para estas regiões. O cenário mundial vem sofrendo alterações principalmente em relação à Europa, onde os países europeus contam com a ajuda chinesa para, em meio à crise do euro, poderem exportar seus produtos e garantir uma espécie de auxílio financeiro internacional.

Além disso, a grande demanda atual por profissionais reduziu a mão de obra chinesa disponível, o que obrigou muitas empresas a oferecerem salários mais altos para atrair os trabalhadores. Sendo assim o novo presidente Xi Jinping terá de lidar com alterações em sua nação que, futuramente, tragam um maior abalo para o país mais populoso do mundo. Fala-se em uma reforma política que possa voltar os olhos da China para o mercado interno. Resta saber se o novo líder estará disposto a promover tal mudança ou manterá a mesma e tradicional linha do regime chinês.

Portanto, não é de se estranhar que o mundo fique apreensivo com a entrada de Xi Jinping, pois, ao menor sinal de uma pequena modificação em sua gestão, muitas nações já prenderão o ar, temendo sofrerem um desgaste ainda maior em suas economias. O Brasil também observa atento tudo o que acontece, já que a China é a maior compradora de produtos brasileiros há três anos e, neste ano, se tornará pela primeira vez a principal fornecedora para o país, desbancando os EUA. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas