domingo, 30 de dezembro de 2012

Queda do desemprego no Brasil: um bom fator que poderia ser ainda melhor para o país



Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – detectou que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 4,9% em novembro deste ano, em relação a 5,3% em outubro. Desde 2002 este é o menor valor já registrado, com exceção de dezembro de 2011, onde se apontou uma taxa de 4,7%.

Em ano de intensa crise econômica, principalmente nos países europeus, o Brasil conseguiu se equilibrar na corda bamba da recessão econômica de 2008, fato cujo reflexo vem promovendo agravantes entraves financeiros até os dias de hoje. Não obstante, a nação brasileira não saiu ilesa dos tentáculos ocasionados pela crise, que começou com o estouro da bolha imobiliária norte-americana, já que o Brasil sofreu uma acentuada redução econômica em relação aos anos anteriores e o valor de seu Produto Interno Bruto - PIB – se manteve praticamente estagnado.

Todavia, se considerarmos as grandes dificuldades enfrentadas pelo continente europeu e pelos EUA, por exemplo, com o elevado número de dívidas financeiras e as consequentes exigências de cortar gastos, numa tentativa de salvar suas respectivas economias por meio de racionamento de empregos e benefícios para funcionários, veremos que o Brasil não se encontra em uma situação ruim.

Ao analisarmos o quesito desemprego, por exemplo, vemos que o país se saiu bem no cenário mundial diante do alto índice de desempregados concentrado principalmente em nações como Espanha, Grécia e Itália, que passaram por um ano conturbado, repleto de manifestações pelas ruas diante da insatisfação popular com a péssima situação do mercado de trabalho europeu, além de cortes de benefícios e diminuição de aposentadorias.

Mas ao focarmos o desenvolvimento brasileiro e sua estagnação econômica – que não foi tão grave como lá fora, permitindo que o Brasil continuasse seguindo o seu caminho sem a necessidade de racionamentos financeiros bruscos – e toda a recessão, que de certa forma também nos afetou e criou entraves para a comercialização no exterior, somos levados a questionar os fatores que contribuíram para que a empregabilidade brasileira estivesse em um patamar tão bom diante do panorama mundial.

Podemos levantar algumas possíveis hipóteses para esse questionamento: com a chegada do fim de ano, cresce o número de vagas temporárias dentro da área comercial, o que acarreta em maiores contratações.

Outro motivo é que talvez o custo da mão de obra, mesmo com os aumentos salariais, sofra uma redução em razão das novas desonerações da folha de pagamento – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um pacote de medidas em que o setor da construção civil, por exemplo, pagará uma contribuição de 2% sobre o seu faturamento, em troca dos 20% do pagamento da contribuição das empresas para o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. O objetivo de tal medida é a geração de novos empregos na área.

Há ainda de se considerar que parte desta queda no desemprego se refere à relação custo-benefício das empresas em relação às demissões, já que muitas acabam saindo no prejuízo ao demitirem seus funcionários, pois terão de arcar com outras despesas como férias e a multa do FGTS e ainda lidar com as dificuldades de contratar novos empregados treinados. Sendo assim, muitas optam por manter seus empregados, mesmo que estes proporcionem menor produtividade, já que no frigir dos ovos obtêm resultados mais vantajosos.

Mas aqui abro um parêntese para ressaltar que o gasto no setor industrial se mantém extremamente elevado, mesmo que muitas empresas cheguem à conclusão que demissões, nas proporções devidas, trariam mais prejuízos financeiros. Uma pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP – ressaltou que, além dos excessivos gastos tributários, as indústrias desembolsam cerca de 7,5 bilhões de reais por ano em benefícios para funcionários, que incluem serviços de saúde, previdência e assistência (como, por exemplo, auxílio creche e berçário).

Em um país onde a tributação tem um dos valores mais altos do mundo e o brasileiro trabalha quase cinco meses por ano apenas para pagar impostos, é no mínimo surpreendente que as indústrias ainda tenham de desembolsar tantos bilhões para bancar tais opções aos serviços públicos, sendo que parte desta verba poderia ser bancada com os recursos provenientes da carga tributária.

Enfim, entre estes e outros fatores responsáveis pela diminuição do desemprego, não podemos deixar de elogiar a valorização do comércio interno que faz parte das medidas adotada pela presidente Dilma que, diante do enfraquecimento econômico de potências estrangeiras, sugeriu que o Brasil voltasse seus olhos para o próprio umbigo, de forma que a população brasileira ampliasse o consumo de produtos internos, alavancando a economia brasileira.

Porém, o governo tem cometido algumas falhas ao incentivar o consumo e, temendo gastos que possam comprometer o caixa brasileiro, reduzindo investimentos e produtividade, o que, aliado a fatores ambientais e climáticos, implica na falta de produtos suficientes para atender toda a demanda.

Além disso, a presidente tem estimulado incansavelmente a queda dos juros e também da inflação, mesmo que o cenário mundial exija o oposto desta redução, diante da alta das taxas financeiras em outros países, para seguir a tendência mundial.

E mesmo assim, com a elevada quantia de impostos na conta do governo, mais recursos já poderiam se destinar a benefícios para funcionários e, principalmente, a maiores investimentos – que gerariam ainda mais empregos – tão necessários para o Brasil neste momento em diversas áreas como educação, comércio, saúde, segurança, transporte, energia elétrica – o corte nas contas de luz deve ocorrer sim, mas principalmente através dos impostos estaduais. Em estados como São Paulo cobram impostos acima de 33%, tal índice apresenta-se por si só no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – e não da redução produtiva, como a presidente Dilma promoveu.

Portanto, a queda do índice de desempregados é um ótimo resultado para o Brasil, mas poderia estar ainda melhor se o governo conduzisse sua gestão de forma mais adequada. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Por que a troca de poder na China gera suspense em todo o planeta



“Menina dos olhos” no cenário mundial: é assim que muitos países enxergam a China, potência econômica que em 2010 se tornou a segunda maior economia do mundo, atraindo os olhares de investidores oriundos de todos os continentes, preocupados e interessados em fazer alianças que alavanquem suas nações economicamente, tendo a China como uma geradora de riquezas.

Nos últimos dias a tal “menina dos olhos” foi motivo de atenção redobrada por parte das outras nações. A razão para tal fenômeno se deve ao fato das mudanças de poder chinês talvez serem as mais profundas da década. A partir de março de 2013 o novo presidente da China, Xi Jinping, tomará posse ao lado do primeiro-ministro Keqiang, de modo que eles poderão permanecer até 10 anos no cargo.

A troca de poder chinês preocupa várias partes do mundo por uma série de fatores. Um dos principais é que muitas nações, como os EUA e os países europeus, continuam sentindo fortemente os abalos da crise econômica mundial ocorrida em 2008, com o estouro da bolha imobiliária norte-americana. Porém, tais nações viram na China um aliado que pudesse ajudá-los na melhora econômica e por isso a troca de poderes acaba por criar tantas expectativas, já que as nações temem ser desfavorecidas pelos acordos comerciais chineses, caso haja profundas mudanças no regime de Xi Jinping.

Enquanto a existência de conflitos entre a população e o governo se torna rotineira, principalmente em países europeus, onde os cidadãos estão cada vez mais descontentes com as atitudes governamentais – que reduz salários e corta benefícios dentro dos planos de austeridade adotados pelas autoridades no intuito de combater a crise – a China parece seguir uma linha totalmente oposta ao desespero que se abate sobre diversas regiões afetadas pela recessão econômica.

Com tantos anos de história, a nação chinesa vem se destacando intensamente nos últimos anos pela forma como tem implantado sua gestão. O crescimento da mão de obra barata, semiescrava, aliada à estratégia, contestada, de uma política econômica centrada na maxidesvalorização de sua moeda, alavancou cada vez mais a produção nacional, colocando a China na mira das exportações. Almejada por muitas potências mundiais, o país se fortaleceu intensamente nos aspectos econômico e social exportando seus produtos para os quatro cantos do planeta, com custos sem par onde quer que seja.

A China só não contava era com o grande estouro da bolha imobiliária, ocorrido em 2008, que acabaria por impactar, principalmente, nações tão importantes para o desenvolvimento mundial. Mesmo assim, enquanto muitos líderes norte-americanos e europeus quebravam e continuam “quebrando a cabeça” para pensar numa forma que os livrem dos tentáculos da recessão, a China ainda pôde respirar mais aliviada desfrutando de sua riqueza, gerada principalmente pelas intensas exportações de outrora.

No entanto, a situação não tende a ser branda por período indeterminado, afinal os países que estabeleceram negócios com a China não estão em uma zona nada confortável, o que acabou abalando também a estrutura chinesa, que sofreu uma grande queda das exportações para estas regiões. O cenário mundial vem sofrendo alterações principalmente em relação à Europa, onde os países europeus contam com a ajuda chinesa para, em meio à crise do euro, poderem exportar seus produtos e garantir uma espécie de auxílio financeiro internacional.

Além disso, a grande demanda atual por profissionais reduziu a mão de obra chinesa disponível, o que obrigou muitas empresas a oferecerem salários mais altos para atrair os trabalhadores. Sendo assim o novo presidente Xi Jinping terá de lidar com alterações em sua nação que, futuramente, tragam um maior abalo para o país mais populoso do mundo. Fala-se em uma reforma política que possa voltar os olhos da China para o mercado interno. Resta saber se o novo líder estará disposto a promover tal mudança ou manterá a mesma e tradicional linha do regime chinês.

Portanto, não é de se estranhar que o mundo fique apreensivo com a entrada de Xi Jinping, pois, ao menor sinal de uma pequena modificação em sua gestão, muitas nações já prenderão o ar, temendo sofrerem um desgaste ainda maior em suas economias. O Brasil também observa atento tudo o que acontece, já que a China é a maior compradora de produtos brasileiros há três anos e, neste ano, se tornará pela primeira vez a principal fornecedora para o país, desbancando os EUA. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O fim da autossuficiência petrolífera brasileira



Um dos maiores patrimônios do Brasil, considerado orgulho de toda a nação face a sua intensa produtividade e geração de riquezas para todo o país, colocando-o como um dos protagonistas no cenário mundial do mercado petrolífero: trata-se da empresa Petróleo Brasileiro S.A. –  Petrobrás – criada em 1953 e sancionada pelo então presidente Getúlio Dornelles Vargas.

Em 2003 a empresa completou 50 anos e, coincidentemente, fazendo jus a meio século de história e sucesso, alcançou naquele mesmo ano o dobro em produção diária de óleo e gás natural, ultrapassando a marca de 2 bilhões de barris, no Brasil e no exterior. Em 2006 a companhia petrolífera não parava de crescer em produtividade e anunciava mais uma excelente notícia aos cidadãos brasileiros: o então presidente Lula deu início à produção petrolífera em águas profundas por meio da Plataforma P-50, na Bacia de Campos, no mesmo período em que a nação chegava a atingir uma autossuficiência em petróleo por determinado período.

Mas aquele cenário tão habitual e que se tornou parte da identidade brasileira infelizmente parece estar prestes a mudar suas diretrizes: o potencial econômico, proveniente das explorações de petróleo que alavancaram o país mundialmente em termos financeiros durante tantos anos, está sofrendo uma acentuada reversão. Sim, foram mais de 53 anos contando com a crescente descoberta petrolífera geradora de riquezas e agora a obtenção deste recurso natural brasileiro dependerá fortemente também de outros países.

Um dos principais fatores que contribuíram para esta mudança repentina na gestão Petrobrás ocorreu em razão de medidas tomadas pela presidente Dilma, que ela acredita serem melhores para conter os tentáculos da crise econômica mundial – que agora começa a atingir o Brasil com maior impacto. Desde o primeiro semestre deste ano a presidente vem ordenando uma contínua diminuição da taxa básica de juros – Selic –objetivando incentivar as instituições bancárias públicas e privadas a fazerem o mesmo de forma a proporcionar facilidades de empréstimo aos cidadãos brasileiros.

Reduzida a um valor de 7,5%, a taxa Selic – que chegou a patamares de incríveis 26,5% no governo FHC - teve a maior redução da história brasileira. Vale destacar que, se esta taxa for mantida a níveis muito altos, reprime a economia, por desestimular a captação de recursos e direcionar os investimentos para o mercado especulativo (aplicações financeiras), por outro lado eleva em demasia a dívida pública brasileira, como aconteceu na última década do século passado. 

Entretanto é extremamente importante a existência de um equilíbrio na taxa de juros já que a redução acentuada também trouxe consequências como a diminuição orçamentária nos fundos brasileiros, que acabaria tendo de ser recompensada com o aumento da inflação, que também já esta comprometida por ter ultrapassado a meta de 4,5%. Com tal cenário, Dilma sabia que não poderia elevar ainda mais as taxas inflacionárias e resolveu manter duas grandezas inversamente proporcionais (juros e inflação) na mesma diretriz.

Sendo assim a presidente estimulou o maior consumo de produtos brasileiros – e também de combustível – por meio da oferta de crédito que contribuiu, inclusive, para manter acelerada a produção de automóveis e, por consequência, suas vendas. No entanto, ao fomentar o aumento do consumo, tentando “conter a crise” – e temendo uma repressão da população principalmente em ano de eleição, o governo federal não aumentou os preços dos produtos e, com os juros baixos, faltou subsídios para alavancar a produção brasileira, cuja quantidade passou a ser insuficiente em razão da alta demanda.

Tal situação também ocorreu com o preço do combustível brasileiro que, mesmo com o aumento do custo internacional do petróleo, manteve-se no mesmo valor. Resultado: faltou subsídio para fomentar a produção petrolífera, modernizar os poços, interrompendo assim a prospecção de novas jazidas e atrasando a extração de óleo da camada pré-sal.

Um estudo divulgado pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) aponta que já em 2013 o Brasil estará consumindo mais óleo do que será capaz de produzir, ou seja, um dos maiores produtores petrolíferos do mundo correrá o risco de se tornar dependente do petróleo estrangeiro e ainda importando a preços muito mais altos em razão do aumento internacional.

Portanto, reverter essa situação de caráter agravante é possível sim. Diante das medidas já citadas – juros e inflação – responsáveis por controlar a economia brasileira é perceptível que a taxa inflacionária não pode ser elevada ainda mais em razão do patamar que já se encontra.

Entretanto reduzir os juros a proporções tão históricas não somente acarretará na redução de subsídios para a produtividade brasileira como ampliará a possibilidade dos cidadãos contraírem mais empréstimos, ocasionando mais inadimplências, gerando, portanto, uma falsa imagem de recuperação econômica brasileira, comprometendo inclusive a imagem do país naquilo que ele sempre se destacou: a riqueza petrolífera.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

sábado, 22 de setembro de 2012

Corte no preço da energia: benefício para todos?




No ano em que o Brasil sentiu com maior intensidade o impacto ocasionado pela crise econômica mundial, que espalhou seus tentáculos principalmente nas nações europeias – e somente agora começa a dar um pouco de fôlego para a economia destes países – a presidente Dilma, a fim de fomentar o crescimento do PIB brasileiro, praticamente estagnado nos últimos meses, adotou uma série de medidas que pudesse manter o funcionamento das engrenagens brasileiras.

Uma das medidas mais defendidas por Dilma e colocadas em pauta foi a questão do incentivo à redução dos juros pelas instituições bancárias, também exaustivamente abordada neste blog em postagens anteriores.  No mês passado a presidente anunciou um novo plano – que chegava até mesmo a contrastar com a ideologia petista – cujo objetivo é a privatização de portos, aeroportos e ferrovias de modo a acelerar o desenvolvimento econômico brasileiro. Mas as decisões anunciadas pela presidente para alavancar a economia não pararam por aí: havia-se discorrido sobre a redução dos preços de energia e na terça-feira do dia 11 de setembro o governo oficializou tal medida.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a partir do dia 5 de fevereiro de 2013, a tarifa de energia sofrerá uma queda de 20,2 % em média para os consumidores, sendo a redução da ordem de até 28% para o setor industrial e 16,2% para o setor residencial, tendo como objetivos a geração de maior competitividade para a indústria local e a reversão do quadro de um crescimento econômico ínfimo neste último trimestre.

Essa diminuição se refletirá nas contas de luz dos consumidores, que pagarão menos tributos, e também no orçamento das empresas de energia que diminuirão seus investimentos em razão da redução dos lucros, já que a medida será aplicada da seguinte forma: serão eliminados os gastos com a Reserva Global de Reversão (RGR) e a Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis (CCC). Sendo assim, o CCC – encargo pago por todos os consumidores brasileiros para financiar o uso de combustíveis para geração de energia termelétrica nos sistemas isolados, especialmente na Região Norte – e o RGR – é uma conta que visa indenizar consumidores por eventuais reversões de concessão de serviços – deixarão de existir.

Tal corte implica numa queda na arrecadação tributária, o que em tese também ruma em direção a outra demanda, que é a administração mais eficiente desses recursos, inclusive no que concerne aos investimentos na expansão do sistema (pelo menos é este o propósito defendido pela presidente). Outra parte da queda na taxa de energia se dará em razão da diminuição, em 75%, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) que existe para oferecer subsídios aos consumidores de baixo poder aquisitivo e fomentar fontes alternativas de energia.

Vale destacar que, para compensar a redução no CDE, o governo fará um aporte de R$ 3,3 bilhões do Tesouro Nacional, faltando ainda R$ 1,3 bilhões a serem captados no mercado financeiro (bancos) para as demais iniciativas, como a compra de combustível para geração a diesel na Região Norte. Essas despesas tendem a diminuir com o tempo, como afirma o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, uma vez que programas sociais financiados pelo governo com os encargos setoriais estão por atingir sua meta.

Em razão de nem todo o recurso financeiro oriundo dos pagamentos de tributos sobre a energia chegar ao seu destino devido ao desvio de verbas e, principalmente, pelo fato do brasileiro pagar uma das contas de luz mais caras do mundo, título que representa uma vergonhosa herança da era das privatizações, a redução adotada pelo governo foi celebrada por muitos, que viram em tal providência uma chance de reduzir os gastos.

Mas é preciso ter cautela quando analisamos tal questão já que, a princípio, toda proposta que envolva a redução de pagamentos para os cidadãos surta um primeiro impacto de melhoria e grande aprovação entre os membros da sociedade, em alguns casos de uma enganosa euforia.

Abro um parênteses aqui com a finalidade de refletir toda a profundidade que esta medida pode ocasionar. Não estou apontando críticas quanto à decisão tomada pela presidente, mas sim analisando os fatos sobre o parâmetro das empresas de energia que necessitam de investimentos. Se haverá redução dos gastos, haverá queda nos ganhos das companhias energéticas que terão sua capacidade financeira mais restrita para atender a mesma demanda de energia. Além disso, todas as empresas de energia ligadas ao governo, incluindo aquelas que possuem contratos válidos até 2015 e 2017, serão obrigadas a reformulá-los já no ano que vem, para se encaixarem dentro da nova proposta.

Por isso é preciso que a presidente não somente se preocupe em cortar gastos como os faça do modo mais adequado e sobre os encargos que menos trarão prejuízos às empresas, já que ela extinguiu dois setores importantes para a manutenção energética brasileira (RGR e CCC) além de reduzir os lucros do CDE.

É sabido que o desvio de verbas se alastra pelos diversos setores nacionais e não deixa de ser diferente quanto ao energético, mas não podemos generalizar a questão e cortar investimentos que seriam essenciais para a produção de energia no Brasil. Portanto, acredito que a implantação de propostas que visem a uma redução tarifária sempre será bem vinda desde que bem aplicada ou, caso contrário, o corte se refletirá não apenas no bolso, mas, neste caso, também na energia, causando um apagão.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

sábado, 15 de setembro de 2012

Pré-sal: grande passo para o crescimento do Brasil, mas quem ganha com isso?



Como fator de incremento da economia brasileira, a descoberta do petróleo durante a exploração da camada pré-sal gerou intensa movimentação de riquezas principalmente para as cidades e municípios de onde foi extraído, e que supostamente seriam privilegiadas com os royalties da exploração. Entretanto, algumas ocorrências têm demonstrado que o dinheiro proveniente da exploração petrolífera seguiu caminhos – a princípio – desconhecidos, e grande parte dele não chegou aos setores de investimentos como instrumento de fomento ao desenvolvimento e aprimoramento destas cidades e municípios.

Um estudo realizado pelo economista da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Postali, publicado na edição de 22 de agosto da revista VEJA, fez uma comparação da evolução econômica entre as cidades que estão dentro e fora do raio do petróleo entre os anos de 1995 a 2006 e chegou a uma conclusão paradoxal: as cidades que se beneficiaram dos royalties oriundos do petróleo cresceram economicamente em taxas muito inferiores àquelas que não foram beneficiadas pelos trabalhos petrolíferos.

Imprescindível para auxiliar no investimento financeiro brasileiro – principalmente no momento em que o país sente com maior impacto os efeitos da crise econômica mundial e o PIB registrou um pequeno aumento de 0,4% em relação ao primeiro trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – a descoberta de petróleo na camada pré-sal foi comemorada pelo país na perspectiva de alavancar sua economia e, principalmente, propiciar grandes melhoras nos setores de infraestrutura, educação, saúde e segurança das regiões onde ele fora encontrado. Mas os royalties parecem ter tomado um destino bem diferente do que aquele mais propício ao desenvolvimento da nação.

Descobriu-se que grande parte destes recursos foram desviados para os bolsos dos próprios membros pertencentes aos setores governamentais destas regiões detentoras de petróleo. Prefeitos, secretários e vereadores pintaram e continuam pintando e bordando em cima dos recursos financeiros que, além de pertencerem ao povo, representam a esperança de formação de tantos jovens – que poderiam estar ingressando em escolas de bom nível educacional, afinal esta é umas das bases para formar cidadãos capacitados a aprimorar a produtividade brasileira, tão essencial principalmente nos dias de hoje  - capacitação esta que contribuiria para alavancar o crescimento do PIB neste cenário de crise, atualmente estagnado em baixos índices.

Consequentemente, nossa nação carece de investimentos nos setores primordiais para o crescimento do país; não obstante detenha bons recursos para fazê-lo, necessita de uma gestão mais transparente  que possa aplicar o dinheiro devidamente, com medidas que saneiem a corrupção que nos assola em todos os níveis de governo, com a conivência de grande parte de nossa sociedade. Portanto, a existência de meios reguladores que controlem e fiscalizem o uso dos recursos se faz tão necessária, assim como a regulamentação, por exemplo, dos setores onde os royalties poderão ser aplicados, já que hoje em dia a aplicação financeira oriunda do petróleo é proibida apenas para uso pessoal e pagamento de dívidas, o que facilita o uso de meios ilícitos para benefício próprio dos governantes por meio do desvio destes recursos.

Os recursos financeiros necessários para o Brasil se destacar ainda mais no cenário econômico mundial já existem, agora é preciso que apenas os bons gestores os empreguem adequadamente para que a sociedade brasileira como um todo ao menos saiba o que é poder utilizar de serviços de saúde, educação, segurança, entre outros direitos constitucionais básicos e fundamentais.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

sábado, 25 de agosto de 2012

Dilma e as privatizações: o caminho certo para a evolução brasileira




Na quarta-feira do dia 15 de agosto a presidente Dilma Rousseff anunciou uma série de medidas as quais, confrontadas com a gestão pública do PT (que defende a estatização de empresas), chega até mesmo a compor um paradoxo político e ideológico: trata-se da privatização de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias que integram o plano de ações batizado de Programa de Investimento em Logística.

Entre as medidas anunciadas pela presidente está a concessão de 7500 quilômetros de rodovias e 10000 quilômetros de ferrovias à iniciativa privada, além da discussão que acontecerá nas próximas semanas sobre a redução das tarifas de energia, desoneração da folha de pagamento das empresas e privatização dos portos e aeroportos.

Se considerarmos apenas as ações implantadas pela presidente Dilma em sua gestão desde a entrada no poder, veremos que tais medidas não são tão surpreendentes assim. A ex-ministra da Casa Civil entrou no Palácio do Planalto e lá se instalou mostrando foco e determinação na tomada de atitudes que pudessem melhorar a imagem do país. E assim ocorreu: diante da sucessão de escândalos que se abateram sobre a Esplanada dos Ministérios em 2011 ela não relutou em demitir seis de seus ministros em apenas 10 meses de governo.

No período que sucedeu o escândalo que culminou com a demissão do então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, enquanto petistas permaneciam em constante discussão sobre quem seria o seu sucessor, Dilma passou à frente e colocou Gleisi Helena Hoffman para assumir o cargo, medida que gerou o descontentamento de muitos membros de seu próprio partido. Contudo, ela não se deixou abalar pelas críticas petistas. Para citar outro exemplo da demonstração de seu poder desprovido de influências alheias, ela demitiu o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, ao descobrir, entre outros motivos, que ele havia participado de reuniões às escondidas com nada mais nada menos do que José Dirceu, principal réu do atual julgamento do Mensalão. No lugar de Gabrielli a presidente colocou Maria da Graça Foster no cargo.

Agora Dilma parece ter utilizado da mesma determinação que outrora tivera na adoção de medidas que alavanquem o crescimento brasileiro e contribuam para um país mais desprovido de corrupção, sem se preocupar com a crítica de aliados. Não é de hoje que o PIB nacional tem crescido a valores quase nulos, contribuindo para uma estagnação econômica. Depois de incentivar a oferta de crédito e, consequentemente, maior compra de produtos brasileiros como forma de acelerar o valor do PIB, a presidente se volta para a concretização de medidas que começaram a ser discutidas desde março, quando ela se reuniu por três horas com os maiores empresários do Brasil para falar a respeito: a privatização – ou concessão de serviços.

Diante da atual situação financeira, Dilma finalmente toma o caminho certo ao escolher privatizar determinados setores do transporte nacional. Para que um país possa se desenvolver de modo cada vez mais gradativo e livre de estagnações ou quedas econômicas a parceria público-privada reveste-se de um caráter essencial. Assim como é impossível que um país seja controlado em toda sua estrutura por corporações estatais, a impossibilidade também é válida no caso das companhias privadas. 

Entretanto, o governo precisa conscientizar- se da necessidade de conceder determinados setores do país a empresas privadas para que assim eles possam manter sua funcionalidade ideal, enquanto que o Estado precisa se preocupar em atender as necessidades essenciais da população, já que ele não conseguirá administrar eficientemente todas as áreas do país – o que muitas vezes acaba resultando em desvio e lavagem de dinheiro, ilegalidades que têm marcado há décadas constante presença nas ações cometidas por alguns membros do governo.

Como já disse anteriormente, a presidente Dilma tem tomado medidas para incentivar o consumo, contribuindo assim com o crescimento econômico, e diante da crescente demanda é necessário propiciar oferta adequada, a qual só é garantida com o aumento da produtividade, com condições adequadas para atingir a população como um todo.

É onde entra o setor da logística, no qual a área privada apresenta-se como aquela melhor dotada para prover das eminentes condições a esta cadeia. A privatização das ferrovias, por exemplo, cuja falta ou mesmo os precários atributos atualmente atravancam a adequada circulação dos produtos brasileiros, é extremamente relevante, pois este meio de transporte carece não só de melhorias urgentes, como da expansão de sua malha a nível nacional, seja para o escoamento da produção, seja no transporte de passageiros.

Portanto, torçamos para que a presidente continue seguindo a linha mais correta de decisões para alavancar o país e não se deixe influenciar por aliados que, visando apenas o benefício próprio, usarão de vários argumentos para se oporem a tais medidas de privatização.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas
  

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Paradoxo imobiliário chinês



Imagine o seguinte quadro: o país mais populoso do mundo, onde há um controle da natalidade visando desacelerar o crescimento populacional, contando com regiões residenciais e comerciais praticamente inabitadas, como é o caso da cidade de Ordos apresentada na foto acima. Esse paradoxo de caráter tão surreal é mais verdadeiro do que se imagina e existe na China por uma explicação mais real ainda.

No ano de 2008, quando o estouro da bolha imobiliária norte-americana desencadeou uma crise econômica que espalhou seus tentáculos por nações de todo o mundo, o governo chinês estimulou a oferta de crédito em seu país a fim de impedir a queda do consumo interno. Como resultado, grande parte da população viu no mercado imobiliário uma chance de obter bons investimentos, considerando-se o fraco rendimento das aplicações em banco e do grande risco financeiro apresentado pelo investimento em ações.

Em decorrência disso, de lá para cá houve um aumento acentuado das vendas de residências e escritórios, não apenas em razão do crédito barato, como também do baixo valor dos impostos imobiliários. O mercado de imóveis tem estado tão movimentado que se tornou comum os chineses possuírem mais de uma propriedade, além de suas próprias moradias. Mas o que explica a existência de regiões fantasmas em uma nação com aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes é o fato de que os detentores de dois imóveis, sendo a maioria pertencente à classe média ascendente, serem investidores que não estão dispostos a vender a propriedade por um preço menor do que compraram, ou alugá-la.

Portanto estes fatores nos levam a crer que os novos investidores imobiliários aguardam uma significativa valorização de suas propriedades, a fim de poderem lucrar nas vendas. E não são apenas estes que demonstram uma insaciável sede por entrada de capital. Em virtude da grande demanda de aquisição de imóveis, os setores ligados à construção têm trabalhado de forma desenfreada, não somente no que tange ao consumo de materiais e equipamentos como na rápida evolução dos métodos e tecnologias construtivas, indo ao encontro da produtividade que exige tal demanda, de modo que o número de construções já ultrapassa a capacidade de compra da população chinesa.

Essa acelerada movimentação do mercado imobiliário, tanto por parte dos compradores quanto das imobiliárias e construtoras, chega a oferecer riscos para e economia chinesa, uma vez que, se a moeda do país sofre uma grande queda, consequentemente os imóveis se desvalorizarão, acarretando uma grande perda tanto para os setores de construção e de imóveis, que não param de oferecer e construir empreendimentos, quanto para todos aqueles que compraram propriedades a fim de investir.  

Recentemente o governo tem tentado restringir o número de casas compradas por um mesmo cidadão chinês. Em um país onde a compra e oferta parecem não ter freios, trata-se de uma boa medida para equilibrar o mercado, caso contrário o paradoxo imobiliário chinês se estenderá cada vez mais.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas