sábado, 22 de setembro de 2012

Corte no preço da energia: benefício para todos?




No ano em que o Brasil sentiu com maior intensidade o impacto ocasionado pela crise econômica mundial, que espalhou seus tentáculos principalmente nas nações europeias – e somente agora começa a dar um pouco de fôlego para a economia destes países – a presidente Dilma, a fim de fomentar o crescimento do PIB brasileiro, praticamente estagnado nos últimos meses, adotou uma série de medidas que pudesse manter o funcionamento das engrenagens brasileiras.

Uma das medidas mais defendidas por Dilma e colocadas em pauta foi a questão do incentivo à redução dos juros pelas instituições bancárias, também exaustivamente abordada neste blog em postagens anteriores.  No mês passado a presidente anunciou um novo plano – que chegava até mesmo a contrastar com a ideologia petista – cujo objetivo é a privatização de portos, aeroportos e ferrovias de modo a acelerar o desenvolvimento econômico brasileiro. Mas as decisões anunciadas pela presidente para alavancar a economia não pararam por aí: havia-se discorrido sobre a redução dos preços de energia e na terça-feira do dia 11 de setembro o governo oficializou tal medida.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a partir do dia 5 de fevereiro de 2013, a tarifa de energia sofrerá uma queda de 20,2 % em média para os consumidores, sendo a redução da ordem de até 28% para o setor industrial e 16,2% para o setor residencial, tendo como objetivos a geração de maior competitividade para a indústria local e a reversão do quadro de um crescimento econômico ínfimo neste último trimestre.

Essa diminuição se refletirá nas contas de luz dos consumidores, que pagarão menos tributos, e também no orçamento das empresas de energia que diminuirão seus investimentos em razão da redução dos lucros, já que a medida será aplicada da seguinte forma: serão eliminados os gastos com a Reserva Global de Reversão (RGR) e a Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis (CCC). Sendo assim, o CCC – encargo pago por todos os consumidores brasileiros para financiar o uso de combustíveis para geração de energia termelétrica nos sistemas isolados, especialmente na Região Norte – e o RGR – é uma conta que visa indenizar consumidores por eventuais reversões de concessão de serviços – deixarão de existir.

Tal corte implica numa queda na arrecadação tributária, o que em tese também ruma em direção a outra demanda, que é a administração mais eficiente desses recursos, inclusive no que concerne aos investimentos na expansão do sistema (pelo menos é este o propósito defendido pela presidente). Outra parte da queda na taxa de energia se dará em razão da diminuição, em 75%, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) que existe para oferecer subsídios aos consumidores de baixo poder aquisitivo e fomentar fontes alternativas de energia.

Vale destacar que, para compensar a redução no CDE, o governo fará um aporte de R$ 3,3 bilhões do Tesouro Nacional, faltando ainda R$ 1,3 bilhões a serem captados no mercado financeiro (bancos) para as demais iniciativas, como a compra de combustível para geração a diesel na Região Norte. Essas despesas tendem a diminuir com o tempo, como afirma o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, uma vez que programas sociais financiados pelo governo com os encargos setoriais estão por atingir sua meta.

Em razão de nem todo o recurso financeiro oriundo dos pagamentos de tributos sobre a energia chegar ao seu destino devido ao desvio de verbas e, principalmente, pelo fato do brasileiro pagar uma das contas de luz mais caras do mundo, título que representa uma vergonhosa herança da era das privatizações, a redução adotada pelo governo foi celebrada por muitos, que viram em tal providência uma chance de reduzir os gastos.

Mas é preciso ter cautela quando analisamos tal questão já que, a princípio, toda proposta que envolva a redução de pagamentos para os cidadãos surta um primeiro impacto de melhoria e grande aprovação entre os membros da sociedade, em alguns casos de uma enganosa euforia.

Abro um parênteses aqui com a finalidade de refletir toda a profundidade que esta medida pode ocasionar. Não estou apontando críticas quanto à decisão tomada pela presidente, mas sim analisando os fatos sobre o parâmetro das empresas de energia que necessitam de investimentos. Se haverá redução dos gastos, haverá queda nos ganhos das companhias energéticas que terão sua capacidade financeira mais restrita para atender a mesma demanda de energia. Além disso, todas as empresas de energia ligadas ao governo, incluindo aquelas que possuem contratos válidos até 2015 e 2017, serão obrigadas a reformulá-los já no ano que vem, para se encaixarem dentro da nova proposta.

Por isso é preciso que a presidente não somente se preocupe em cortar gastos como os faça do modo mais adequado e sobre os encargos que menos trarão prejuízos às empresas, já que ela extinguiu dois setores importantes para a manutenção energética brasileira (RGR e CCC) além de reduzir os lucros do CDE.

É sabido que o desvio de verbas se alastra pelos diversos setores nacionais e não deixa de ser diferente quanto ao energético, mas não podemos generalizar a questão e cortar investimentos que seriam essenciais para a produção de energia no Brasil. Portanto, acredito que a implantação de propostas que visem a uma redução tarifária sempre será bem vinda desde que bem aplicada ou, caso contrário, o corte se refletirá não apenas no bolso, mas, neste caso, também na energia, causando um apagão.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

sábado, 15 de setembro de 2012

Pré-sal: grande passo para o crescimento do Brasil, mas quem ganha com isso?



Como fator de incremento da economia brasileira, a descoberta do petróleo durante a exploração da camada pré-sal gerou intensa movimentação de riquezas principalmente para as cidades e municípios de onde foi extraído, e que supostamente seriam privilegiadas com os royalties da exploração. Entretanto, algumas ocorrências têm demonstrado que o dinheiro proveniente da exploração petrolífera seguiu caminhos – a princípio – desconhecidos, e grande parte dele não chegou aos setores de investimentos como instrumento de fomento ao desenvolvimento e aprimoramento destas cidades e municípios.

Um estudo realizado pelo economista da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Postali, publicado na edição de 22 de agosto da revista VEJA, fez uma comparação da evolução econômica entre as cidades que estão dentro e fora do raio do petróleo entre os anos de 1995 a 2006 e chegou a uma conclusão paradoxal: as cidades que se beneficiaram dos royalties oriundos do petróleo cresceram economicamente em taxas muito inferiores àquelas que não foram beneficiadas pelos trabalhos petrolíferos.

Imprescindível para auxiliar no investimento financeiro brasileiro – principalmente no momento em que o país sente com maior impacto os efeitos da crise econômica mundial e o PIB registrou um pequeno aumento de 0,4% em relação ao primeiro trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – a descoberta de petróleo na camada pré-sal foi comemorada pelo país na perspectiva de alavancar sua economia e, principalmente, propiciar grandes melhoras nos setores de infraestrutura, educação, saúde e segurança das regiões onde ele fora encontrado. Mas os royalties parecem ter tomado um destino bem diferente do que aquele mais propício ao desenvolvimento da nação.

Descobriu-se que grande parte destes recursos foram desviados para os bolsos dos próprios membros pertencentes aos setores governamentais destas regiões detentoras de petróleo. Prefeitos, secretários e vereadores pintaram e continuam pintando e bordando em cima dos recursos financeiros que, além de pertencerem ao povo, representam a esperança de formação de tantos jovens – que poderiam estar ingressando em escolas de bom nível educacional, afinal esta é umas das bases para formar cidadãos capacitados a aprimorar a produtividade brasileira, tão essencial principalmente nos dias de hoje  - capacitação esta que contribuiria para alavancar o crescimento do PIB neste cenário de crise, atualmente estagnado em baixos índices.

Consequentemente, nossa nação carece de investimentos nos setores primordiais para o crescimento do país; não obstante detenha bons recursos para fazê-lo, necessita de uma gestão mais transparente  que possa aplicar o dinheiro devidamente, com medidas que saneiem a corrupção que nos assola em todos os níveis de governo, com a conivência de grande parte de nossa sociedade. Portanto, a existência de meios reguladores que controlem e fiscalizem o uso dos recursos se faz tão necessária, assim como a regulamentação, por exemplo, dos setores onde os royalties poderão ser aplicados, já que hoje em dia a aplicação financeira oriunda do petróleo é proibida apenas para uso pessoal e pagamento de dívidas, o que facilita o uso de meios ilícitos para benefício próprio dos governantes por meio do desvio destes recursos.

Os recursos financeiros necessários para o Brasil se destacar ainda mais no cenário econômico mundial já existem, agora é preciso que apenas os bons gestores os empreguem adequadamente para que a sociedade brasileira como um todo ao menos saiba o que é poder utilizar de serviços de saúde, educação, segurança, entre outros direitos constitucionais básicos e fundamentais.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

sábado, 25 de agosto de 2012

Dilma e as privatizações: o caminho certo para a evolução brasileira




Na quarta-feira do dia 15 de agosto a presidente Dilma Rousseff anunciou uma série de medidas as quais, confrontadas com a gestão pública do PT (que defende a estatização de empresas), chega até mesmo a compor um paradoxo político e ideológico: trata-se da privatização de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias que integram o plano de ações batizado de Programa de Investimento em Logística.

Entre as medidas anunciadas pela presidente está a concessão de 7500 quilômetros de rodovias e 10000 quilômetros de ferrovias à iniciativa privada, além da discussão que acontecerá nas próximas semanas sobre a redução das tarifas de energia, desoneração da folha de pagamento das empresas e privatização dos portos e aeroportos.

Se considerarmos apenas as ações implantadas pela presidente Dilma em sua gestão desde a entrada no poder, veremos que tais medidas não são tão surpreendentes assim. A ex-ministra da Casa Civil entrou no Palácio do Planalto e lá se instalou mostrando foco e determinação na tomada de atitudes que pudessem melhorar a imagem do país. E assim ocorreu: diante da sucessão de escândalos que se abateram sobre a Esplanada dos Ministérios em 2011 ela não relutou em demitir seis de seus ministros em apenas 10 meses de governo.

No período que sucedeu o escândalo que culminou com a demissão do então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, enquanto petistas permaneciam em constante discussão sobre quem seria o seu sucessor, Dilma passou à frente e colocou Gleisi Helena Hoffman para assumir o cargo, medida que gerou o descontentamento de muitos membros de seu próprio partido. Contudo, ela não se deixou abalar pelas críticas petistas. Para citar outro exemplo da demonstração de seu poder desprovido de influências alheias, ela demitiu o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, ao descobrir, entre outros motivos, que ele havia participado de reuniões às escondidas com nada mais nada menos do que José Dirceu, principal réu do atual julgamento do Mensalão. No lugar de Gabrielli a presidente colocou Maria da Graça Foster no cargo.

Agora Dilma parece ter utilizado da mesma determinação que outrora tivera na adoção de medidas que alavanquem o crescimento brasileiro e contribuam para um país mais desprovido de corrupção, sem se preocupar com a crítica de aliados. Não é de hoje que o PIB nacional tem crescido a valores quase nulos, contribuindo para uma estagnação econômica. Depois de incentivar a oferta de crédito e, consequentemente, maior compra de produtos brasileiros como forma de acelerar o valor do PIB, a presidente se volta para a concretização de medidas que começaram a ser discutidas desde março, quando ela se reuniu por três horas com os maiores empresários do Brasil para falar a respeito: a privatização – ou concessão de serviços.

Diante da atual situação financeira, Dilma finalmente toma o caminho certo ao escolher privatizar determinados setores do transporte nacional. Para que um país possa se desenvolver de modo cada vez mais gradativo e livre de estagnações ou quedas econômicas a parceria público-privada reveste-se de um caráter essencial. Assim como é impossível que um país seja controlado em toda sua estrutura por corporações estatais, a impossibilidade também é válida no caso das companhias privadas. 

Entretanto, o governo precisa conscientizar- se da necessidade de conceder determinados setores do país a empresas privadas para que assim eles possam manter sua funcionalidade ideal, enquanto que o Estado precisa se preocupar em atender as necessidades essenciais da população, já que ele não conseguirá administrar eficientemente todas as áreas do país – o que muitas vezes acaba resultando em desvio e lavagem de dinheiro, ilegalidades que têm marcado há décadas constante presença nas ações cometidas por alguns membros do governo.

Como já disse anteriormente, a presidente Dilma tem tomado medidas para incentivar o consumo, contribuindo assim com o crescimento econômico, e diante da crescente demanda é necessário propiciar oferta adequada, a qual só é garantida com o aumento da produtividade, com condições adequadas para atingir a população como um todo.

É onde entra o setor da logística, no qual a área privada apresenta-se como aquela melhor dotada para prover das eminentes condições a esta cadeia. A privatização das ferrovias, por exemplo, cuja falta ou mesmo os precários atributos atualmente atravancam a adequada circulação dos produtos brasileiros, é extremamente relevante, pois este meio de transporte carece não só de melhorias urgentes, como da expansão de sua malha a nível nacional, seja para o escoamento da produção, seja no transporte de passageiros.

Portanto, torçamos para que a presidente continue seguindo a linha mais correta de decisões para alavancar o país e não se deixe influenciar por aliados que, visando apenas o benefício próprio, usarão de vários argumentos para se oporem a tais medidas de privatização.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas
  

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Paradoxo imobiliário chinês



Imagine o seguinte quadro: o país mais populoso do mundo, onde há um controle da natalidade visando desacelerar o crescimento populacional, contando com regiões residenciais e comerciais praticamente inabitadas, como é o caso da cidade de Ordos apresentada na foto acima. Esse paradoxo de caráter tão surreal é mais verdadeiro do que se imagina e existe na China por uma explicação mais real ainda.

No ano de 2008, quando o estouro da bolha imobiliária norte-americana desencadeou uma crise econômica que espalhou seus tentáculos por nações de todo o mundo, o governo chinês estimulou a oferta de crédito em seu país a fim de impedir a queda do consumo interno. Como resultado, grande parte da população viu no mercado imobiliário uma chance de obter bons investimentos, considerando-se o fraco rendimento das aplicações em banco e do grande risco financeiro apresentado pelo investimento em ações.

Em decorrência disso, de lá para cá houve um aumento acentuado das vendas de residências e escritórios, não apenas em razão do crédito barato, como também do baixo valor dos impostos imobiliários. O mercado de imóveis tem estado tão movimentado que se tornou comum os chineses possuírem mais de uma propriedade, além de suas próprias moradias. Mas o que explica a existência de regiões fantasmas em uma nação com aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes é o fato de que os detentores de dois imóveis, sendo a maioria pertencente à classe média ascendente, serem investidores que não estão dispostos a vender a propriedade por um preço menor do que compraram, ou alugá-la.

Portanto estes fatores nos levam a crer que os novos investidores imobiliários aguardam uma significativa valorização de suas propriedades, a fim de poderem lucrar nas vendas. E não são apenas estes que demonstram uma insaciável sede por entrada de capital. Em virtude da grande demanda de aquisição de imóveis, os setores ligados à construção têm trabalhado de forma desenfreada, não somente no que tange ao consumo de materiais e equipamentos como na rápida evolução dos métodos e tecnologias construtivas, indo ao encontro da produtividade que exige tal demanda, de modo que o número de construções já ultrapassa a capacidade de compra da população chinesa.

Essa acelerada movimentação do mercado imobiliário, tanto por parte dos compradores quanto das imobiliárias e construtoras, chega a oferecer riscos para e economia chinesa, uma vez que, se a moeda do país sofre uma grande queda, consequentemente os imóveis se desvalorizarão, acarretando uma grande perda tanto para os setores de construção e de imóveis, que não param de oferecer e construir empreendimentos, quanto para todos aqueles que compraram propriedades a fim de investir.  

Recentemente o governo tem tentado restringir o número de casas compradas por um mesmo cidadão chinês. Em um país onde a compra e oferta parecem não ter freios, trata-se de uma boa medida para equilibrar o mercado, caso contrário o paradoxo imobiliário chinês se estenderá cada vez mais.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Telefonia móvel: recorde de usuários, declínio dos serviços



Mais veloz do que o aumento populacional brasileiro, existe outro tipo de crescimento que ultrapassa consideravelmente o número de pessoas existente no Brasil: a telefonia móvel, que hoje apresenta 256 milhões de linhas ativas para 191 milhões de brasileiros.

Isso se deve à quantidade de aparelhos móveis por pessoa presentes no país, já que muitos consumidores optam por ter mais de um celular ou chip. São tantos números telefônicos que, pelo menos em parte do estado mais rico do Brasil, onde essa proporção é mais gritante, as regras terão de mudar para abrir espaço às novas linhas que surgirão. A partir do dia 29 de julho foi acrescentado um nono dígito em todos os celulares da Grande São Paulo e imediações, cujo DDD é 11.

Mas, ao contrário do crescimento de consumidores que ocasionou uma gradativa e elevada geração de lucros, para as operadoras de celular, os serviços oferecidos por estas seguiram na direção contrária, deteriorando-se na proporção do aumento de vendas.

 As companhias de telefonia móvel não somente ganharam mais clientes, como também mais reclamações destes,  motivados pela má qualidade na prestação de serviços, principalmente no que tange à queda do sinal das ligações, às dificuldades para completar chamadas e às zonas de sombra, onde o sinal efetivamente não funciona. Sem citar o péssimo atendimento ao consumidor e o fraco pós-venda.

Pensou-se apenas na elevação quantitativa do número de clientes e na consequente obtenção de lucro, mas não no aprimoramento de uma estrutura eficiente que comporte e atenda tantas linhas de modo preciso e com uma boa qualidade de serviços. A operadora TIM aumentou o número de seus usuários em 88% desde o ano de 2008. O motivo para tamanha expansão deve-se às inúmeras promoções criadas para atrair mais e mais clientes. Cito, como  exemplo, aquela na qual os donos de celulares da TIM pagarão apenas o primeiro minuto, ao efetuarem uma ligação para outro aparelho de mesma operadora, não importando de que outro lugar do país a pessoa com quem se fala esteja.

Diante disso, a Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel – resolveu punir as companhias de telefonia móvel OI, TIM e Claro de modo que elas ficassem proibidas de vender chips de celular nos estados em que receberam maiores reclamações. No 2º lugar do ranking de maior telefonia móvel, ficando atrás apenas da Vivo, a TIM foi a que mais se saiu prejudicada ao ser impossibilitada de vender seus serviços em dezoito estados. Em São Paulo, apenas a Claro foi proibida de vender chips.

A Anatel também determinou que todas as operadoras de celular – incluindo as que não foram punidas – deverão apresentar, em um prazo de 30 dias, um plano que contenha soluções para resolver os principais problemas de que os usuários reclamam como falta e comprometimento de sinal.

A medida tomada pela Anatel deve servir de estímulo para que as operadoras de celular invistam em infraestrutura, proporcionando maior qualidade e efetividade dos serviços, e não apenas com estratégias de obtenção de mais clientes, focando apenas nos lucros, mas conscientizando-se que mais usuários bem atendidos repercutirão automaticamente em melhores serviços, gerando uma expansão responsável, ética, sustentável, além da consolidação da imagem e reputação empresarial. Não é a toa que a telefonia celular é o serviço que mais causa insatisfação nos brasileiros, liderando o ranking de reclamações dos órgãos de defesa do consumidor.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

domingo, 22 de julho de 2012

E o PIB permanece no mesmo lugar!



Desde o fim do ano passado, o valor do  PIB – Produto Interno Bruto - brasileiro permaneceu praticamente inalterado e seu crescimento não ultrapassou a taxa de 2,5%. Buscando mudar esse cenário o governo do Brasil vem adotando diversas medidas as quais acredita serem eficazes para alavancá-lo.

Redução dos juros das instituições bancárias públicas, aumento da concessão de créditos, incentivo a determinadas indústrias e estímulo ao crescimento do mercado automobilístico fazem parte do conjunto de medidas que visam a melhora econômica brasileira. A Selic – taxa básica de juros – foi reduzida a proporções históricas (ao nível de 8%) visando incentivar a concessão de empréstimos a juros baixos por parte dos bancos, disponibilizando mais recursos para que, com o incremento do consumo, os consumidores brasileiros possam movimentar a produção e os serviços.

O tempo foi passando, tais medidas foram sendo implantadas, mas o valor do PIB não se locomoveu. Permanecendo sob o mesmo patamar em que se encontrava quando o governo ainda discorria sobre o que fazer para acelerar a economia, o valor do PIB continua a níveis bem mais reduzidos se comparado principalmente ao ano de 2010, quando seu valor atingiu um crescimento de 9% no primeiro trimestre. A maior aceleração desde 1995.

Naquela época o mundo todo pôde sentir as consequências do estouro da bolha imobiliária do mercado financeiro norte-americano em função da grande crise econômica, que atualmente espalha seus tentáculos sobre a Europa, provocando um agravante desequilíbrio financeiro em grande parte dos países que adotaram o euro. Mas no período de estouro da crise, o Brasil quase não sentiu impacto em razão da boa situação econômica em que se encontrava, aliada às reservas financeiras, que permitiram que as engrenagens da produtividade brasileira não parassem de rodar.

Entretanto, o efeito “marolinha” da crise, como descrito pelo ex-presidente Lula, agora parece querer ganhar forças para se tornar ao menos um pequeno tornado, já que a situação econômica brasileira não se encontra tão favorável como outrora e o valor do crescimento financeiro permanece inalterado.

Diante deste cenário somos obrigados a questionar o motivo para que o PIB não consiga mais decolar. A resposta se encontra numa pequena palavra denominada infraestrutura. Com a queda das exportações brasileiras motivada pela crise externa, o país precisa voltar os olhos para o lucro interno, o qual não pode ser oriundo apenas do incentivo ao consumo, mas, primeiramente, da produtividade.

A qualificação da mão de obra e o estímulo à competitividade entre as empresas são pilares fundamentais para aprimorar a infraestrutura brasileira, considerada o alicerce para a sustentação de uma economia. No entanto, o governo parece andar em sentido contrário ao fomentar ainda mais o intervencionismo estatal, algo que neste momento não é a melhor solução, considerando-se que tudo que o setor privado menos precisa atualmente é de entraves que dificultem o seu desenvolvimento. E, para agravar a situação e exemplificar o que foi dito, basta analisarmos a atitude do governo brasileiro que, ao invés de acelerar, contribuiu para o atraso da engrenagem da produtividade, ao elevar a tributação dos investimentos e empréstimos internacionais, intervir na cotação do dólar, impor barreiras aos produtos importados entre outros...

É preciso analisar que muitos destes produtos importados se encontram a preços abaixo dos nacionais, o que contribuiria para que determinadas empresas reduzissem gastos na compra de equipamentos de forma a terem um maior aparato para produzir a custos mais baixos, o que seria bom para alavancar a produtividade, já que um maior número de indústrias estaria disponível para comprar o material necessário à produção. Entretanto, o governo precisa se conscientizar disso e reduzir a tributação de determinados produtos de origem estrangeira.

Na Argentina, por exemplo, muitas empresas privadas já estão se desacostumando com o termo “importação”. Diante da crise europeia que se abate sobre as nações de todo o mundo, a presidente argentina Cristina Kirchner resolveu adotar medidas extremamente protecionistas e proibir as empresas de realizar importações de diversos produtos – sendo muitos deles essenciais para a manutenção da produtividade do país.

Qualquer argentino que queira comprar dólar passará por pesadas restrições que visam justamente o controle excessivo sobre a entrada de capital e materiais estrangeiros no país. Como consequência desse intervencionismo estatal abusivo, as corporações argentinas se encontram praticamente estagnadas, muitas fecharam ou estão a ponto de fechar suas portas.

O intervencionismo estatal presente na Argentina é um belo exemplo de medidas que não devem ser tomadas para lidar com a crise europeia. Se as economias dos países desenvolvidos estão se desvalorizando e se comprometendo com a crise, a adoção de medidas protecionistas de caráter extremo por parte dos países em desenvolvimento, para que não sintam o impacto financeiro negativo, não é a melhor solução. Sem as importações, as empresas não poderão deter de aparato suficiente para manter a produtividade.

Portanto, os governos brasileiro e argentino, principalmente, deveriam parar para refletir que este é o melhor momento para a compra de produtos estrangeiros essenciais para alimentarem a engrenagem da economia e do PIB, contanto que estes países reduzam suas tarifas de importação ao invés de aumentá-las dificultando a participação no comércio exterior. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

terça-feira, 3 de julho de 2012

Investimentos: o verdadeiro passo para a ascensão econômica do Brasil



Recentemente o Brasil tem passado por uma redução do crescimento de seu PIB econômico e também pela diminuição de suas exportações em função da crise europeia, que dificultou e diminuiu as relações comerciais entre Brasil e Europa.  A fim de reverter a situação e retomar a ascensão econômica brasileira, a presidente Dilma Rousseff elaborou uma lista de exigências que inclui a redução dos juros bancários – principalmente – e a concessão de maiores créditos que possam incentivar o consumidor a adquirir produtos brasileiros, já que o país foi obrigado a voltar-se para o mercado interno, em busca de margem de lucro, pois, com a recessão europeia reduziu-se a intensidade do comércio exterior em países de todo o mundo.

Visando proporcionar uma maior obtenção de lucros para o Brasil sem elevar as taxas inflacionárias, a presidente objetiva manter um difícil equilíbrio entre juros e inflação de modo que os dois alcancem patamares reduzidos.

Entretanto, a redução dos juros nem sempre surte os efeitos desejados, tendo em vista o risco considerável da inadimplência que acarretaria numa redução econômica ainda maior para o Brasil – com a redução dos juros e a maior oferta de crédito cria-se um maior estímulo para o aumento de empréstimos e, consequentemente, de endividamentos com bancos e instituições financeiras como já vem ocorrendo com parte das famílias brasileiras que aumentou suas dívidas. Tal fato não descartaria uma possível quebra financeira em instituições bancárias e agências de empréstimo.

Transcorrido algum tempo após a adoção destas medidas, muitos fatores demonstram que elas ainda não causaram impacto ao comércio e, por consequência, ao mercado financeiro, alcançando a melhoria financeira esperada. Incentivou-se o consumo, mas a produtividade permaneceu praticamente inalterada, não obstante a demanda por parte desses consumidores tenha continuado no mesmo ritmo de crescimento.

O Banco Central já reduziu a previsão de crescimento do PIB deste ano de 3,5% para 2,5%, ou seja, a economia brasileira realmente está sofrendo uma acentuada desaceleração que se reflete no principal pilar – imprescindível para a infraestrutura do país – o do investimento, o qual deveria ter recebido mais incentivos. No entanto, o governo optou por ampliar a possibilidade de consumo sem uma demanda tão eficiente para isso, ou seja, pensou-se em incentivar a compra, mas não se pensou em estratégias que aumentem a produtividade que atenda as necessidades da população em bens.

“É importante estimular investimentos, pois eles são a mola do crescimento”, essa foi a declaração feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que somente agora parece ter percebido, juntamente com o governo, que a produtividade é o principal ponto de estímulo ao crescimento econômico, com o lançamento do PAC Equipamentos. Trata-se de um plano para aumentar o investimento industrial em que o governo investirá na aquisição de caminhões e máquinas para a construção civil, bem como de veículos militares, mesmo se os preços destes forem até 25% mais altos que os similares importados.

O programa inclui a redução da taxa de juros do BNDES de 6% para 5,5% ao ano. Apesar de tais medidas representarem menos de 1% da produção anual da indústria brasileira e 0,18% do PIB, em função do valor gasto com a aquisição dos produtos (8,4 bilhões), elas já representam um passo a ser dado para que aos poucos esses investimentos possam crescer mais, alavancando o verdadeiro e correto modo de se incentivar a ascensão econômica brasileira de forma linear e desprovida de oscilações.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas