sábado, 25 de agosto de 2012

Dilma e as privatizações: o caminho certo para a evolução brasileira




Na quarta-feira do dia 15 de agosto a presidente Dilma Rousseff anunciou uma série de medidas as quais, confrontadas com a gestão pública do PT (que defende a estatização de empresas), chega até mesmo a compor um paradoxo político e ideológico: trata-se da privatização de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias que integram o plano de ações batizado de Programa de Investimento em Logística.

Entre as medidas anunciadas pela presidente está a concessão de 7500 quilômetros de rodovias e 10000 quilômetros de ferrovias à iniciativa privada, além da discussão que acontecerá nas próximas semanas sobre a redução das tarifas de energia, desoneração da folha de pagamento das empresas e privatização dos portos e aeroportos.

Se considerarmos apenas as ações implantadas pela presidente Dilma em sua gestão desde a entrada no poder, veremos que tais medidas não são tão surpreendentes assim. A ex-ministra da Casa Civil entrou no Palácio do Planalto e lá se instalou mostrando foco e determinação na tomada de atitudes que pudessem melhorar a imagem do país. E assim ocorreu: diante da sucessão de escândalos que se abateram sobre a Esplanada dos Ministérios em 2011 ela não relutou em demitir seis de seus ministros em apenas 10 meses de governo.

No período que sucedeu o escândalo que culminou com a demissão do então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, enquanto petistas permaneciam em constante discussão sobre quem seria o seu sucessor, Dilma passou à frente e colocou Gleisi Helena Hoffman para assumir o cargo, medida que gerou o descontentamento de muitos membros de seu próprio partido. Contudo, ela não se deixou abalar pelas críticas petistas. Para citar outro exemplo da demonstração de seu poder desprovido de influências alheias, ela demitiu o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, ao descobrir, entre outros motivos, que ele havia participado de reuniões às escondidas com nada mais nada menos do que José Dirceu, principal réu do atual julgamento do Mensalão. No lugar de Gabrielli a presidente colocou Maria da Graça Foster no cargo.

Agora Dilma parece ter utilizado da mesma determinação que outrora tivera na adoção de medidas que alavanquem o crescimento brasileiro e contribuam para um país mais desprovido de corrupção, sem se preocupar com a crítica de aliados. Não é de hoje que o PIB nacional tem crescido a valores quase nulos, contribuindo para uma estagnação econômica. Depois de incentivar a oferta de crédito e, consequentemente, maior compra de produtos brasileiros como forma de acelerar o valor do PIB, a presidente se volta para a concretização de medidas que começaram a ser discutidas desde março, quando ela se reuniu por três horas com os maiores empresários do Brasil para falar a respeito: a privatização – ou concessão de serviços.

Diante da atual situação financeira, Dilma finalmente toma o caminho certo ao escolher privatizar determinados setores do transporte nacional. Para que um país possa se desenvolver de modo cada vez mais gradativo e livre de estagnações ou quedas econômicas a parceria público-privada reveste-se de um caráter essencial. Assim como é impossível que um país seja controlado em toda sua estrutura por corporações estatais, a impossibilidade também é válida no caso das companhias privadas. 

Entretanto, o governo precisa conscientizar- se da necessidade de conceder determinados setores do país a empresas privadas para que assim eles possam manter sua funcionalidade ideal, enquanto que o Estado precisa se preocupar em atender as necessidades essenciais da população, já que ele não conseguirá administrar eficientemente todas as áreas do país – o que muitas vezes acaba resultando em desvio e lavagem de dinheiro, ilegalidades que têm marcado há décadas constante presença nas ações cometidas por alguns membros do governo.

Como já disse anteriormente, a presidente Dilma tem tomado medidas para incentivar o consumo, contribuindo assim com o crescimento econômico, e diante da crescente demanda é necessário propiciar oferta adequada, a qual só é garantida com o aumento da produtividade, com condições adequadas para atingir a população como um todo.

É onde entra o setor da logística, no qual a área privada apresenta-se como aquela melhor dotada para prover das eminentes condições a esta cadeia. A privatização das ferrovias, por exemplo, cuja falta ou mesmo os precários atributos atualmente atravancam a adequada circulação dos produtos brasileiros, é extremamente relevante, pois este meio de transporte carece não só de melhorias urgentes, como da expansão de sua malha a nível nacional, seja para o escoamento da produção, seja no transporte de passageiros.

Portanto, torçamos para que a presidente continue seguindo a linha mais correta de decisões para alavancar o país e não se deixe influenciar por aliados que, visando apenas o benefício próprio, usarão de vários argumentos para se oporem a tais medidas de privatização.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas
  

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Paradoxo imobiliário chinês



Imagine o seguinte quadro: o país mais populoso do mundo, onde há um controle da natalidade visando desacelerar o crescimento populacional, contando com regiões residenciais e comerciais praticamente inabitadas, como é o caso da cidade de Ordos apresentada na foto acima. Esse paradoxo de caráter tão surreal é mais verdadeiro do que se imagina e existe na China por uma explicação mais real ainda.

No ano de 2008, quando o estouro da bolha imobiliária norte-americana desencadeou uma crise econômica que espalhou seus tentáculos por nações de todo o mundo, o governo chinês estimulou a oferta de crédito em seu país a fim de impedir a queda do consumo interno. Como resultado, grande parte da população viu no mercado imobiliário uma chance de obter bons investimentos, considerando-se o fraco rendimento das aplicações em banco e do grande risco financeiro apresentado pelo investimento em ações.

Em decorrência disso, de lá para cá houve um aumento acentuado das vendas de residências e escritórios, não apenas em razão do crédito barato, como também do baixo valor dos impostos imobiliários. O mercado de imóveis tem estado tão movimentado que se tornou comum os chineses possuírem mais de uma propriedade, além de suas próprias moradias. Mas o que explica a existência de regiões fantasmas em uma nação com aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes é o fato de que os detentores de dois imóveis, sendo a maioria pertencente à classe média ascendente, serem investidores que não estão dispostos a vender a propriedade por um preço menor do que compraram, ou alugá-la.

Portanto estes fatores nos levam a crer que os novos investidores imobiliários aguardam uma significativa valorização de suas propriedades, a fim de poderem lucrar nas vendas. E não são apenas estes que demonstram uma insaciável sede por entrada de capital. Em virtude da grande demanda de aquisição de imóveis, os setores ligados à construção têm trabalhado de forma desenfreada, não somente no que tange ao consumo de materiais e equipamentos como na rápida evolução dos métodos e tecnologias construtivas, indo ao encontro da produtividade que exige tal demanda, de modo que o número de construções já ultrapassa a capacidade de compra da população chinesa.

Essa acelerada movimentação do mercado imobiliário, tanto por parte dos compradores quanto das imobiliárias e construtoras, chega a oferecer riscos para e economia chinesa, uma vez que, se a moeda do país sofre uma grande queda, consequentemente os imóveis se desvalorizarão, acarretando uma grande perda tanto para os setores de construção e de imóveis, que não param de oferecer e construir empreendimentos, quanto para todos aqueles que compraram propriedades a fim de investir.  

Recentemente o governo tem tentado restringir o número de casas compradas por um mesmo cidadão chinês. Em um país onde a compra e oferta parecem não ter freios, trata-se de uma boa medida para equilibrar o mercado, caso contrário o paradoxo imobiliário chinês se estenderá cada vez mais.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Telefonia móvel: recorde de usuários, declínio dos serviços



Mais veloz do que o aumento populacional brasileiro, existe outro tipo de crescimento que ultrapassa consideravelmente o número de pessoas existente no Brasil: a telefonia móvel, que hoje apresenta 256 milhões de linhas ativas para 191 milhões de brasileiros.

Isso se deve à quantidade de aparelhos móveis por pessoa presentes no país, já que muitos consumidores optam por ter mais de um celular ou chip. São tantos números telefônicos que, pelo menos em parte do estado mais rico do Brasil, onde essa proporção é mais gritante, as regras terão de mudar para abrir espaço às novas linhas que surgirão. A partir do dia 29 de julho foi acrescentado um nono dígito em todos os celulares da Grande São Paulo e imediações, cujo DDD é 11.

Mas, ao contrário do crescimento de consumidores que ocasionou uma gradativa e elevada geração de lucros, para as operadoras de celular, os serviços oferecidos por estas seguiram na direção contrária, deteriorando-se na proporção do aumento de vendas.

 As companhias de telefonia móvel não somente ganharam mais clientes, como também mais reclamações destes,  motivados pela má qualidade na prestação de serviços, principalmente no que tange à queda do sinal das ligações, às dificuldades para completar chamadas e às zonas de sombra, onde o sinal efetivamente não funciona. Sem citar o péssimo atendimento ao consumidor e o fraco pós-venda.

Pensou-se apenas na elevação quantitativa do número de clientes e na consequente obtenção de lucro, mas não no aprimoramento de uma estrutura eficiente que comporte e atenda tantas linhas de modo preciso e com uma boa qualidade de serviços. A operadora TIM aumentou o número de seus usuários em 88% desde o ano de 2008. O motivo para tamanha expansão deve-se às inúmeras promoções criadas para atrair mais e mais clientes. Cito, como  exemplo, aquela na qual os donos de celulares da TIM pagarão apenas o primeiro minuto, ao efetuarem uma ligação para outro aparelho de mesma operadora, não importando de que outro lugar do país a pessoa com quem se fala esteja.

Diante disso, a Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel – resolveu punir as companhias de telefonia móvel OI, TIM e Claro de modo que elas ficassem proibidas de vender chips de celular nos estados em que receberam maiores reclamações. No 2º lugar do ranking de maior telefonia móvel, ficando atrás apenas da Vivo, a TIM foi a que mais se saiu prejudicada ao ser impossibilitada de vender seus serviços em dezoito estados. Em São Paulo, apenas a Claro foi proibida de vender chips.

A Anatel também determinou que todas as operadoras de celular – incluindo as que não foram punidas – deverão apresentar, em um prazo de 30 dias, um plano que contenha soluções para resolver os principais problemas de que os usuários reclamam como falta e comprometimento de sinal.

A medida tomada pela Anatel deve servir de estímulo para que as operadoras de celular invistam em infraestrutura, proporcionando maior qualidade e efetividade dos serviços, e não apenas com estratégias de obtenção de mais clientes, focando apenas nos lucros, mas conscientizando-se que mais usuários bem atendidos repercutirão automaticamente em melhores serviços, gerando uma expansão responsável, ética, sustentável, além da consolidação da imagem e reputação empresarial. Não é a toa que a telefonia celular é o serviço que mais causa insatisfação nos brasileiros, liderando o ranking de reclamações dos órgãos de defesa do consumidor.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

domingo, 22 de julho de 2012

E o PIB permanece no mesmo lugar!



Desde o fim do ano passado, o valor do  PIB – Produto Interno Bruto - brasileiro permaneceu praticamente inalterado e seu crescimento não ultrapassou a taxa de 2,5%. Buscando mudar esse cenário o governo do Brasil vem adotando diversas medidas as quais acredita serem eficazes para alavancá-lo.

Redução dos juros das instituições bancárias públicas, aumento da concessão de créditos, incentivo a determinadas indústrias e estímulo ao crescimento do mercado automobilístico fazem parte do conjunto de medidas que visam a melhora econômica brasileira. A Selic – taxa básica de juros – foi reduzida a proporções históricas (ao nível de 8%) visando incentivar a concessão de empréstimos a juros baixos por parte dos bancos, disponibilizando mais recursos para que, com o incremento do consumo, os consumidores brasileiros possam movimentar a produção e os serviços.

O tempo foi passando, tais medidas foram sendo implantadas, mas o valor do PIB não se locomoveu. Permanecendo sob o mesmo patamar em que se encontrava quando o governo ainda discorria sobre o que fazer para acelerar a economia, o valor do PIB continua a níveis bem mais reduzidos se comparado principalmente ao ano de 2010, quando seu valor atingiu um crescimento de 9% no primeiro trimestre. A maior aceleração desde 1995.

Naquela época o mundo todo pôde sentir as consequências do estouro da bolha imobiliária do mercado financeiro norte-americano em função da grande crise econômica, que atualmente espalha seus tentáculos sobre a Europa, provocando um agravante desequilíbrio financeiro em grande parte dos países que adotaram o euro. Mas no período de estouro da crise, o Brasil quase não sentiu impacto em razão da boa situação econômica em que se encontrava, aliada às reservas financeiras, que permitiram que as engrenagens da produtividade brasileira não parassem de rodar.

Entretanto, o efeito “marolinha” da crise, como descrito pelo ex-presidente Lula, agora parece querer ganhar forças para se tornar ao menos um pequeno tornado, já que a situação econômica brasileira não se encontra tão favorável como outrora e o valor do crescimento financeiro permanece inalterado.

Diante deste cenário somos obrigados a questionar o motivo para que o PIB não consiga mais decolar. A resposta se encontra numa pequena palavra denominada infraestrutura. Com a queda das exportações brasileiras motivada pela crise externa, o país precisa voltar os olhos para o lucro interno, o qual não pode ser oriundo apenas do incentivo ao consumo, mas, primeiramente, da produtividade.

A qualificação da mão de obra e o estímulo à competitividade entre as empresas são pilares fundamentais para aprimorar a infraestrutura brasileira, considerada o alicerce para a sustentação de uma economia. No entanto, o governo parece andar em sentido contrário ao fomentar ainda mais o intervencionismo estatal, algo que neste momento não é a melhor solução, considerando-se que tudo que o setor privado menos precisa atualmente é de entraves que dificultem o seu desenvolvimento. E, para agravar a situação e exemplificar o que foi dito, basta analisarmos a atitude do governo brasileiro que, ao invés de acelerar, contribuiu para o atraso da engrenagem da produtividade, ao elevar a tributação dos investimentos e empréstimos internacionais, intervir na cotação do dólar, impor barreiras aos produtos importados entre outros...

É preciso analisar que muitos destes produtos importados se encontram a preços abaixo dos nacionais, o que contribuiria para que determinadas empresas reduzissem gastos na compra de equipamentos de forma a terem um maior aparato para produzir a custos mais baixos, o que seria bom para alavancar a produtividade, já que um maior número de indústrias estaria disponível para comprar o material necessário à produção. Entretanto, o governo precisa se conscientizar disso e reduzir a tributação de determinados produtos de origem estrangeira.

Na Argentina, por exemplo, muitas empresas privadas já estão se desacostumando com o termo “importação”. Diante da crise europeia que se abate sobre as nações de todo o mundo, a presidente argentina Cristina Kirchner resolveu adotar medidas extremamente protecionistas e proibir as empresas de realizar importações de diversos produtos – sendo muitos deles essenciais para a manutenção da produtividade do país.

Qualquer argentino que queira comprar dólar passará por pesadas restrições que visam justamente o controle excessivo sobre a entrada de capital e materiais estrangeiros no país. Como consequência desse intervencionismo estatal abusivo, as corporações argentinas se encontram praticamente estagnadas, muitas fecharam ou estão a ponto de fechar suas portas.

O intervencionismo estatal presente na Argentina é um belo exemplo de medidas que não devem ser tomadas para lidar com a crise europeia. Se as economias dos países desenvolvidos estão se desvalorizando e se comprometendo com a crise, a adoção de medidas protecionistas de caráter extremo por parte dos países em desenvolvimento, para que não sintam o impacto financeiro negativo, não é a melhor solução. Sem as importações, as empresas não poderão deter de aparato suficiente para manter a produtividade.

Portanto, os governos brasileiro e argentino, principalmente, deveriam parar para refletir que este é o melhor momento para a compra de produtos estrangeiros essenciais para alimentarem a engrenagem da economia e do PIB, contanto que estes países reduzam suas tarifas de importação ao invés de aumentá-las dificultando a participação no comércio exterior. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

terça-feira, 3 de julho de 2012

Investimentos: o verdadeiro passo para a ascensão econômica do Brasil



Recentemente o Brasil tem passado por uma redução do crescimento de seu PIB econômico e também pela diminuição de suas exportações em função da crise europeia, que dificultou e diminuiu as relações comerciais entre Brasil e Europa.  A fim de reverter a situação e retomar a ascensão econômica brasileira, a presidente Dilma Rousseff elaborou uma lista de exigências que inclui a redução dos juros bancários – principalmente – e a concessão de maiores créditos que possam incentivar o consumidor a adquirir produtos brasileiros, já que o país foi obrigado a voltar-se para o mercado interno, em busca de margem de lucro, pois, com a recessão europeia reduziu-se a intensidade do comércio exterior em países de todo o mundo.

Visando proporcionar uma maior obtenção de lucros para o Brasil sem elevar as taxas inflacionárias, a presidente objetiva manter um difícil equilíbrio entre juros e inflação de modo que os dois alcancem patamares reduzidos.

Entretanto, a redução dos juros nem sempre surte os efeitos desejados, tendo em vista o risco considerável da inadimplência que acarretaria numa redução econômica ainda maior para o Brasil – com a redução dos juros e a maior oferta de crédito cria-se um maior estímulo para o aumento de empréstimos e, consequentemente, de endividamentos com bancos e instituições financeiras como já vem ocorrendo com parte das famílias brasileiras que aumentou suas dívidas. Tal fato não descartaria uma possível quebra financeira em instituições bancárias e agências de empréstimo.

Transcorrido algum tempo após a adoção destas medidas, muitos fatores demonstram que elas ainda não causaram impacto ao comércio e, por consequência, ao mercado financeiro, alcançando a melhoria financeira esperada. Incentivou-se o consumo, mas a produtividade permaneceu praticamente inalterada, não obstante a demanda por parte desses consumidores tenha continuado no mesmo ritmo de crescimento.

O Banco Central já reduziu a previsão de crescimento do PIB deste ano de 3,5% para 2,5%, ou seja, a economia brasileira realmente está sofrendo uma acentuada desaceleração que se reflete no principal pilar – imprescindível para a infraestrutura do país – o do investimento, o qual deveria ter recebido mais incentivos. No entanto, o governo optou por ampliar a possibilidade de consumo sem uma demanda tão eficiente para isso, ou seja, pensou-se em incentivar a compra, mas não se pensou em estratégias que aumentem a produtividade que atenda as necessidades da população em bens.

“É importante estimular investimentos, pois eles são a mola do crescimento”, essa foi a declaração feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que somente agora parece ter percebido, juntamente com o governo, que a produtividade é o principal ponto de estímulo ao crescimento econômico, com o lançamento do PAC Equipamentos. Trata-se de um plano para aumentar o investimento industrial em que o governo investirá na aquisição de caminhões e máquinas para a construção civil, bem como de veículos militares, mesmo se os preços destes forem até 25% mais altos que os similares importados.

O programa inclui a redução da taxa de juros do BNDES de 6% para 5,5% ao ano. Apesar de tais medidas representarem menos de 1% da produção anual da indústria brasileira e 0,18% do PIB, em função do valor gasto com a aquisição dos produtos (8,4 bilhões), elas já representam um passo a ser dado para que aos poucos esses investimentos possam crescer mais, alavancando o verdadeiro e correto modo de se incentivar a ascensão econômica brasileira de forma linear e desprovida de oscilações.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

domingo, 17 de junho de 2012

Rio+20: Como criar a ponte que liga Economia à Sustentabilidade?

Nestes últimos dias o assunto “sustentabilidade” vem sendo destaque no mundo todo, principalmente aqui no Brasil. A razão é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece no Rio de Janeiro desde o último dia 13 de junho. Chamada de Rio+20, o encontro leva este nome por se realizar 20 anos após a Eco 92: primeiro encontro a reunir congressistas do mundo inteiro no Brasil para discutirem a concretização e ampliação de uma economia sustentável. 

A primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente aconteceu no ano de 1972, em Estocolmo.  Com a Eco 92 e a Rio+20 o objetivo de discutir e concretizar a implantação de medidas que possam conciliar desenvolvimento e crescimento econômico com ações sustentáveis, a fim de impedir o esgotamento das riquezas naturais,  ganhou extrema força, já que 1972 foi praticamente o período de nascimento do ambientalismo.

De lá para cá muito se discutiu a respeito, mas pouco se fez para ampliar o investimento monetário em recursos pró-ambiente em razão das inúmeras opiniões divergentes, oriundas dos líderes de diferentes países que muitas vezes funcionam como um entrave para se chegar a um acordo.

Outra questão de peso que contribui para a dificuldade de se estabelecer uma medida favorável e aprovada por todos é o grande paradoxo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, já que os primeiros são os pioneiros e principais responsáveis pelo uso em excesso das fontes naturais e, por outro lado, são os que mais relutam em investir grande parte de suas riquezas em ações sustentáveis. Enquanto isso muitas nações subdesenvolvidas e emergentes vêm fazendo sua parte na preservação ambiental como é o caso do Brasil, que tem investido maciçamente nesta área.

Se tomarmos como exemplo a primeira potência econômica mundial, que são os EUA, para ilustrar o fato acima descrito, é possível ver claramente como a ambição por lucros capitalistas ainda reina em primeiro lugar na lista de preocupações de muitas nações desenvolvidas. Totalmente voltados para suas raízes capitalistas que valorizam primeiramente a geração de riquezas e a competitividade entre empresas, de forma a colocar a obtenção de lucros acima de tudo, os EUA, ao contrário da forma ágil com que sempre lidaram e lidam com a implantação de medidas para agilizarem o crescimento econômico, procuram “tirar o pé do acelerador” quando o assunto envolve a criação de fundos monetários para o investimento de medidas em prol da natureza.

É possível conciliar crescimento econômico com desenvolvimento sustentável sim, mas assim como a crise econômica – que para ser totalmente combatida necessita de medidas de longo prazo como foi o caso da Alemanha, que outrora passou por uma grande reforma econômica e hoje é umas das menos afetadas pela crise europeia – a sustentabilidade exige medidas, que a princípio acarretarão na desaceleração econômica por certo período, mas futuramente resultará em um regime produtivo e sustentável.  

Com receio de investir uma determinada quantia de suas riquezas em medidas ambientalistas, muitas potências abrem mão de desacelerarem suas economias para ampliarem os gastos com técnicas sustentáveis, que não acarretarão em lucros em curto prazo.

Por isso, elas demonstram extrema cautela antes de aprovarem qualquer medida que envolva disponibilizar dinheiro em prol do meio ambiente, principalmente em um período que grande parte das nações desenvolvidas tem suas riquezas comprometidas pela crise econômica. Esta que, nem na gravidade da situação em que se encontra, foi motivo suficiente para que os países europeus tomassem medidas econômicas de longo prazo, que dirá realizar tal feito para investir em sustentabilidade.

Entre as discussões ocorridas até o momento na Conferência da Rio+20, se destacou a proposta do G77 – grupo constituídos pelos países pobres e emergentes – lançado oficialmente pelo embaixador-chefe do Brasil nas negociações, Luiz Alberto Figueiredo: trata-se da criação de um fundo de 30 bilhões de dólares por ano, a partir de 2013, pelas potências desenvolvidas por serem estas as principais responsáveis pela poluição do planeta.

No entanto, em razão da crise europeia, este não é o melhor momento para que os desenvolvidos comecem a investir neste fundo. E tal proposta acabou sendo realmente rejeitada pelos países ricos. Para substituí-la, foi estabelecido o compromisso de se criar um fórum para discutir o assunto a partir das nomeações da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O fato é que a colaboração de tais potências desenvolvidas é imprescindível para que as técnicas sustentáveis possam sair do papel, já que são elas as principais detentoras do financiamento mundial. E felizmente, no mundo de hoje, a população está mais consciente destes fatos e clama por atitudes mais limpas e não prejudiciais ao meio ambiente. Por isso é relevante que as atitudes sustentáveis se propaguem cada vez mais para conhecimento de todos.

O incentivo a tais atitudes sustentáveis também é essencial para melhor a situação do planeta as quais acredito que podem estar presentes em medidas como a meritocracia , na qual os governos podem  conceder benefícios extras as empresas empenhadas em poluir menos e não esgotar os recursos naturais, como forma de incentivá-las a continuar adotando tais medidas.

O bônus demográfico que tem se ampliado no Brasil – onde a maior parcela de habitantes está entre 20 e 29 anos, o que indica que futuramente o país terá mais idosos do que crianças se mantida a porcentagem atual – é uma porta para que a nação invista mais em educação em termos qualitativos, para formar pessoas mais capacitadas a elaborarem ideias sustentáveis.   

Enfim, a questão é que discutir a chamada “economia verde” com pessoas vindas de 193 nações, com culturas, histórias, economias, religiões e, principalmente, interesses distintos, é um desafio de caráter extremamente audacioso.

Muito se ouve falar de que a realização desta Conferência, como outras que já aconteceram para discutir a respeito do ambientalismo, acabará não surtindo resultados proveitosos, mas o fato é que lidar com opiniões tão divergentes, em que cada um dialoga com base nas características políticas, econômicas e sociais de seus país, nos leva a refletir que o simples fato de todos os membros da Rio+20 chegarem a um mesmo acordo, já representa um grande avanço para a humanidade. Pois, por se tratar de um problema de repercussão mundial, sua solução não será encontrada de um dia para o outro, mas pode ser agilizada com a cooperação de todos. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Como salvar os pilares da economia europeia




Passam-se os dias e os noticiários não deixam de divulgar aquilo que já está virando rotina para leitores, internautas, ouvintes e espectadores: a crise do euro, que continuar a espalhar seus tentáculos depravadores pelas economias dos países europeus.

Pioneira, na Europa, em sentir o efeito drástico da desaceleração econômica provocada pela crise de 2008, a Grécia continua a enfrentar sérias dificuldades para lidar com a quitação da grandiosa dívida acumulada pelo país em razão do excesso de gastos.  Além da Grécia, outros países europeus como Portugal, Espanha e Irlanda surtiram e continuam a surtir os efeitos da recessão econômica, que ameaça assombrar diversas potências europeias se medidas mais drásticas não forem tomadas, a fim de estabelecer a contenção da crise.

Diante de tais circunstâncias, somos levados a questionar até que ponto a “blindagem” ocasionada pela adoção de uma moeda única como o euro pode ser rompida, comprometendo os respectivos países que a adaptam ao seu regime financeiro.

Atualmente o euro circula em 17 países da Europa. Apesar de agilizar a transação econômica europeia sem contar, obviamente, os benefícios gerados, por exemplo, pela oferta de crédito, que acaba por estimular o consumo e a produtividade nos diversos países europeus ao mesmo tempo, este sistema de moeda única não é sinônimo de uma economia 100% segura, como estamos percebendo face à fragilização financeira atual.

Muito se discerniu a respeito da tranquilidade financeira que esta medida poderia trazer em razão da homogeneização do sistema econômico europeu, no entanto, há que se levar em consideração a forma como cada país lida com a administração dos recursos econômicos provenientes do euro.

Entre as nações europeias que foram assoladas pela crise, a Alemanha foi a nação que sofreu o menor impacto. Se compararmos as situações econômicas da Alemanha e da Grécia, veremos que as duas nações constituem polos extremos de agravamento financeiro ocasionado pela crise, sendo que a primeira continua com seu desenvolvimento intacto e a segunda foi totalmente tomada por uma desaceleração econômica, acarretando altas taxas de desemprego e quebra de empresas.

Diante de tal fato, podemos chegar à conclusão de que não basta adotar um padrão que possa facilitar a vida de todos os membros que o adaptem para si, se cada um deles não adotar medidas que possam permitir a manutenção deste padrão de forma saudável. Retomando o caso dos dois países já citados, podemos dizer que a Grécia passa por uma situação tão conturbada financeiramente, em razão do excesso de gastos cometidos pelo governo, desde outrora contribuindo para o aumento de suas dívidas.

Por outro lado, a Alemanha adotou comportamento extremamente oposto ao grego, através de medidas conservadoras e de longo prazo que visam a um maior controle monetário como forma de proteção às suas reservas econômicas.  Como resultado, a economia alemã se mantém estabilizada e livre da “corda bamba”, ao contrário das demais economias europeias.

Há de se levar em conta que o fato dos alemães estarem em uma zona de conforto em plena recessão europeia também decorra de medidas aplicadas há muitos anos. Desde a reunificação alemã – uma vez que no período que a antecedeu a economia estava extremamente deteriorada por consequência da divisão da nação em Alemanha Ocidental e Oriental – o país passou por profundas reformas que atingiram maciçamente toda a sua população.

Essas mudanças – que envolveram medidas como diminuição dos salários em troca de menor tempo de trabalho, negociações salariais sendo realizadas diretamente entre funcionários e patrões sem a intervenção de sindicatos – agregadas às medidas austeras, apesar de terem ocasionado grandes dificuldades no começo, repercutiram em resultados que, a longo prazo, contribuíram para o crescimento econômico.

Portanto, o resultado desta estabilidade está na realização de reformas com efeitos a longo prazo, ao contrário do que ocorre na Grécia e em outros países que vêm adotando medidas provisórias a fim de combater a recessão, como a entrada, na Grécia, de maior dinheiro do FMI e da União Europeia – UE, que, a princípio ajudam no investimento, mas contribuem para o aumento da dívida grega, criando um círculo vicioso.

O resultado destas ações de curto prazo se refletiu na indignação da população grega, que se encontra descontente com a gestão do governo e altamente prejudicada em razão do crescimento incontrolável do desemprego. Diante da gravidade da situação foi realizada uma votação entre os partidos, no dia 6 de maio, para que os parlamentares votassem a favor ou contra a saída da Grécia da zona do euro. Em razão da pequena diferença de votos, gerando um empate, o que complica ainda mais a situação, uma nova votação foi marcada para o dia 17 de junho.

Abordando o caso de modo mais abrangente, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália também correm altos riscos de se prejudicarem financeiramente ainda mais, caminhando na direção do desgaste sofrido pela Grécia. Fala-se em medidas austeras e, principalmente, na intromissão de novos pacotes econômicos auxiliadores, mas o fato é que só austeridade não resolve, pois o alicerce do regime monetário europeu está comprometido e se medidas ao alcance do problema não forem tomadas, o impacto será mundial.

Portanto, como ocorreu na Alemanha, os demais países necessitam de uma reforma econômica urgente e os cidadãos europeus reivindicam isso, como foi o caso dos franceses que elegeram um socialista para a presidência, na espera de mudanças. O pilar da economia está desgastado e se fortes medidas não forem tomadas, “o prédio desabará sobre o planeta com consequências catastróficas para todos”.

Por Mariana Mascarenhas