domingo, 26 de janeiro de 2014

Um ano desafiador para o caixa brasileiro


Entramos em 2014! Agora o governo terá de se desdobrar para fomentar a realização da Copa, investir nos principais setores do país e ainda nas famosas campanhas eleitorais para as eleições, também neste ano. Com desaceleração da produtividade interna, aumento da inflação, recorde da Dívida Pública Federal e um PIB crescendo em torno de 2%, o ano de 2013 certamente não foi dos melhores para a economia nacional. Visando primeiramente a uma redução inflacionária, o governo optou por aumentar em 10% a taxa básica de juros (Selic).

Em novembro, após permanecer três meses em aceleração, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) reduziu, trazendo um leve alívio para o bolso dos consumidores, acarretando redução do custo de alimentos, como o arroz e o feijão.  Além da redução inflacionária, a manutenção da taxa de desemprego em baixa, a queda da inadimplência e a contenção de gastos por parte dos consumidores são fatores que apontam uma luz no fim do túnel para o crescimento econômico. Todavia, obstáculos não faltarão. A partir de agora, por exemplo, o Banco Central norte-americano, Fed, deixará de injetar dinheiro público nos bancos estadunidenses, como vinha fazendo desde a crise de 2008, pois acredita que os EUA já recuperaram fôlego da recessão.

A medida poderá afetar o Brasil em dois prismas: deixando de receber dinheiro estatal, os bancos dos EUA podem aumentar as taxas de juros e resultar na elevação do dólar que encarecerá os produtos importados pelo Brasil, podendo elevar novamente a inflação brasileira – a fim de amenizar este problema, o Banco Central daqui já vinha adotando um programa de intervenção no câmbio para conter a volatilidade do dólar. Outra consequência está no afastamento dos investidores estrangeiros do nosso país, já que a recuperação da crise pelos EUA acaba por fortalecer a moeda norte-americana e volta a despertar o interesse de investidores, que deixarão de se interessar pela economia brasileira com a desvalorização do real.

Enfim, em ano de eleição em que os governos habitualmente aumentam gastos em benefícios sociais buscando votos, será preciso investir exclusivamente no que for essencial e imprescindível – como infraestrutura, produtividade, saúde, educação, segurança – a fim de não piorar a situação. É a prova que política e economia não andam juntas.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Fim de ano: alerta vermelho para o bolso do consumidor, ou alívio, depende só de você!


Ao contrário do anunciado Espírito Natalino, o fim de ano costuma ser marcado por festas, família reunida e muitas compras. Mas nem tudo se insere no clima festivo, com a chegada dos meses de novembro e dezembro a indução ao consumo representa uma verdadeira facada no bolso do cidadão, favorecendo o aumento da inadimplência. Uma solução que vem sendo adotada pelos brasileiros a fim de resolver este problema é usar os recursos do 13º para quitar suas dívidas.

Uma pesquisa divulgada pela empresa Ipsos, em novembro de 2013, revelou que 24,5% dos brasileiros usariam o dinheiro do 13º para este fim. Acostumado a sofrer com o acúmulo de dívidas, o brasileiro parece estar aprendendo rápido. As dívidas representam uma verdadeira bola de neve pois, exceto nos casos de uma emergência para a qual a pessoa não está preparada, como uma doença, acidente ou um desemprego prolongado, o endividamento geralmente é o termômetro de que seus gastos não cabem na renda que usufrui, implicando numa verdadeira compra de dinheiro. Pois é isso o que o uso de mecanismos de crédito representa, você compra dinheiro para pagar o dinheiro que não tem.

Todavia, em 2013 a redução do número de inadimplentes brasileiros foi surpreendente. Segundo dados do Serasa Experian, somente no mês de setembro, por exemplo, houve uma redução da inadimplência de 10,8% em relação ao mesmo período de 2012. A pesquisa Ipsos também mostrou que neste ano, em comparação a 2012, um número menor de brasileiros usou o 13º para quitar dívidas (24,5 % dos entrevistados em 2013 em relação a 32,6% em 2012) e mais pessoas utilizarão o recurso para poupar (20,4% em 2013 em relação a 16,3% em 2012). Isso reflete maior preocupação do consumidor quanto à contenção e economia de gastos. E o brasileiro está aprendendo aos poucos como fazer isso.

O primeiro passo é pegar um caderno e elencar tudo aquilo que está devendo, para quem, quanto, quando vence. Se você tiver uma aplicação qualquer, como uma poupança, um CDB, uma renda fixa, etc, convém avaliar a possibilidade de sacar este dinheiro para quitar as dívidas, começando por aquelas sobre as quais incide maior taxa de juros – o cartão de crédito quando já está no rotativo, o cheque especial. Espero que dever para agiota não seja o seu caso. Se for, quite o mais rápido possível e fuja dele!

Anote também aquilo que tem a receber e as datas de recebimento. Salários, rescisões contratuais, enfim, tudo o que poderá usar para negociar e renegociar as dívidas. Use o que tiver nas aplicações para eliminar as dívidas vencidas, informe-se sobre as taxas de juros praticadas e sobre qual seria o abatimento para quitá-la. Há também a possibilidade de efetuar um empréstimo em outra instituição, cujos juros estejam menores do que aquela que esteja financiando a dívida. Pesquise na internet sites que orientam como renegociar dívidas, assim como instituições que dão orientações preliminares. Com todas as informações, dirija-se à instituição e tente a maior redução possível, e quando chegar a um acordo exija todas as condições tratadas por escrito e recibos dos valores pagos e quitados, discriminados.

Após a eliminação deste tipo de débito é fundamental efetuar um planejamento eficaz que possa preveni-lo de contrair novas dívidas. Como os consumidores tendem a gastar mais no fim do ano, eles precisam ficar atentos para comprar somente o que precisar, especulando preços e a qualidade dos produtos, e não agir por impulsividade, evitando gastos desnecessários. A pergunta que se deve fazer ao ver algo que salta aos olhos: EU EFETIVAMENTE PRECISO DISSO? Se sim, tem que ser agora ou posso fazer uma economia e comprar daqui a algum tempo? Mesmo assim, não seria melhor pesquisar onde comprar com melhores condições? Comprar de imediato, por impulso, via de regra conduz a uma compra mal feita e arrependimentos, principalmente quando logo depois encontra outro produto (ou o mesmo) com melhores condições.

Ao se planejar para efetuar uma compra – seja uma TV nova, uma troca de geladeira ou fogão, por exemplo – juntar o valor que seria pago pela prestação numa poupança durante o tempo em que você estaria pagando por um objeto que já estaria usando pode ser compensador, pois poderá, com o dinheiro todo na mão, negociar um bom desconto, evitar dívida, isso se não aparecer nesse tempo uma boa promoção ou um modelo mais novo e com melhores funções. Isso fará com que você não só evite comprometer o seu dinheiro futuro, como também estar daqui a um ano pagando por algo que já saiu de linha. Pense nisso.

Entretanto, antes de comprar, não se esqueça de que logo após as festas surgem as despesas pesadas: o IPVA do veículo, o IPTU, matrícula das crianças ou da faculdade, material escolar, seguro do veículo, são algumas delas. É fundamental colocar no seu planejamento espaço para quitá-las.

O uso desenfreado dos cartões de crédito é outro agravante para a inadimplência. Por isso, antes de usá-los, é preciso ter a consciência de que se possui o valor total para pagar a fatura a ser cobrada. “Apertar os cintos” é necessário, talvez até mesmo vender um bem para fugir da inadimplência total, pensando em reorganizar o orçamento para readquirir este bem depois, se realmente necessário. Nesse interím, procure instituições que orientem para um consumo equilibrado, assista a palestras, busque sempre orientação.

A queda do desemprego, a elevação de salários, mais condições propícias para renegociação das dívidas desde janeiro deste ano podem ter contribuído para a queda do endividamento, mesmo com um fator que esteve fortemente presente na gestão Dilma em 2013 para favorecer a contração de dívidas: a facilidade na concessão de créditos, que somente se reduziu com o aumento das taxas de juros visando combater a elevada inflação. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas
Colaboração: Sérgio Eduardo Nadur 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Guerra fiscal: um abismo econômico entre os estados do Brasil


Empresários brasileiros buscam sempre driblar a elevada tributação ao administrarem seus negócios.  Exemplo disso é a procura por estados que cobram valores reduzidos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), cujas diferenças percentuais estaduais no Brasil são discrepantes, trata-se da chamada guerra fiscal, com prejuízo à competitividade interestadual, concentração da produtividade em determinadas regiões e ampliação da desigualdade econômica nacional.

A fim de transformar esse cenário, está em discussão no Congresso Nacional a chamada Reforma do ICMS. Trata-se de uma medida que visa a redução das alíquotas interestaduais, a criação de fundos de compensação e de um fundo de desenvolvimento regional.

A proposta inicial do governo é reduzir para 4% as alíquotas interestaduais de ICMS de 12% e 7%. Ou seja, os estados que cobram 7% sobre a venda de mercadorias para outros estados deixariam de se tornar mais atraentes para investimentos do que os estados que cobram um valor maior, já que todos exigirão a mesma alíquotasalvo algumas exceções para determinados segmentos. Esse é um fator imprescindível para extinguir a guerra fiscal, que prejudica muitas regiões as quais, por já não se encontrarem em boa situação econômica, acabam elevando os impostos, o que apenas contribui para espantar investidores.

Para compensar as perdas estaduais da redução de alíquotas, o governo criará o fundo de desenvolvimento regional, que contará com R$ 300 bilhões até 2020, de modo que 25% deste valor será concedido pelo Orçamento da União e o restante por meio de empréstimos. É certo que a guerra fiscal deve ser eliminada, mas há que se ter cautela em adotar tais decisões para não aumentar ainda mais a carga tributária, já que os estados terão que arcar com a maior parte monetária do fundo, medida que poderia ser melhor reformulada. Já o fundo de compensação conterá o valor a ser pago de acordo com a perda efetiva de arrecadação, calculada pelo governo federal.

O fim da guerra fiscal representa um grande avanço para estimular a competitividade e produtividade nacional. Mas é preciso que todos os estados entrem num consenso a respeito para que a reforma saia do papel e não seja mais uma entre tantas outras engavetadas.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

As confusas justificativas de Haddad para o aumento do IPTU



Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), o brasileiro trabalha cerca de 150 dias apenas para pagar impostos, tempo equivalente a praticamente o dobro gasto na década de 70, quando eram necessários apenas 76 dias para arcar com tributos. E, se depender de nossos políticos e governantes, este número tende apenas a aumentar. Nas últimas semanas, por exemplo, um dos assuntos que têm ocupado grande espaço na mídia é o provável aumento percentual de mais um imposto paulistano, o que gerou grande insatisfação em uma parcela dos cidadãos, devido ao suposto ônus que eles sofrerão no bolso: trata-se do IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano.

Anunciado pelo prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, a previsão de reajuste apresenta diversas variações, chegando ao incrível aumento de 19% para regiões de alto padrão como Alto de Pinheiros e Vila Mariana (a elevação máxima permitida é de 20% para imóveis residenciais e de 35% para pontos comerciais).

Todavia, em 5 de novembro o aumento acabou sendo suspenso pelo juiz Emílio Migliano Neto proibindo a sanção da lei que havia sido aprovada na Câmara, mas acabou sendo sancionada pelo prefeito da mesma forma no dia seguinte e proibida pelo juiz de entrar em vigor. A Prefeitura entrou com um recurso, que foi negado por Neto. Porém, no dia 13 de novembro, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ), Ivan Sartori, derrubou a liminar que suspendia a lei e o aumento passará a vigorar em 2014.

Diante das contestações a respeito do pesado reajuste, Haddad alegou que o IPTU não sofria aumento desde 2009, ano em que foi aprovada uma lei na gestão Kassab obrigando a alteração da alíquota do imposto, por meio da revisão da PGV (Planta Genérica de Valores), no primeiro ano do seguinte mandato. Não precisa ser um expert em gestão governamental para se conscientizar que, a cada ano, o país aumenta a renda populacional, necessita investir mais para oferecer maiores e melhores benefícios sociais e, consequentemente, precisa de mais verba para tal.

Por consequência, sem a devida cobrança de impostos, seria impossível a formação de reservas suficientes aos investimentos necessários para o desenvolvimento de cada parte do país. Além disso, se a cada ano mais brasileiros ascendem economicamente devido ao aumento salarial, esta ascensão implica obviamente em maiores alíquotas, que serão empregadas para subsidiar necessidades e programas sociais. Caso esta cobrança não se eleve, é esperado que o caixa monetário dos governos sofra um pequeno “aperto”, como deve ter ocorrido na gestão Haddad pelo fato do prefeito anterior, Gilberto Kassab, ter optado por permanecer três anos sem interferir no valor do IPTU – apesar de tê-lo feito de maneira bastante acentuada no início de seu mandato. Todavia, há que se abrir um extenso parêntese para ressaltar a grandiosa distinção entre cobrar um aumento cabível e elevar as taxas tributárias muito além da capacidade financeira do contribuinte.

É justificável que uma alíquota aumente periodicamente o equivalente a pequenas cifras – e SEMPRE de acordo com o poder contributivo do cidadão, como reza a Constituição – para auxiliar na concretização de melhorias para a nação, mas daí a elevar acentuadamente os valores de um imposto, como o Sr Haddad objetiva fazer com o IPTU em 2014, é algo inexplicável e sem fundamento plausível, ferindo a capacidade de renda do contribuinte.

Ademais, como já citado, a elevação tributária deve ocorrer sempre de modo proporcional aos ganhos trabalhistas e, para tamanha elevação, certamente a renda do contribuinte deveria se encontrar a patamares muito mais altos – infelizmente temos observado apenas uma crescente elevação de preços nos imóveis, resultado da acelerada valorização do mercado imobiliário, que tem sido fomentado muito mais à base de empréstimos e créditos financeiros concedidos à população, do que na própria renda desta para aquisição de imóvel, cenário alarmante que lembra inclusive, mesmo que de bem longe, a bolha imobiliária norte-americana.

Mas Haddad acredita estar tomando a decisão certa, pois, segundo ele, um maior número de imóveis situados nas regiões mais pobres da cidade ficará isenta do imposto. Ou seja, ele acabará dando uma facada no bolso de setores mais desenvolvidos economicamente, cobrando altas taxas de IPTU, e reduzindo a 0% a alíquota para os mais pobres, ao invés de proporcionar um equilíbrio e fazer cobranças baseadas nos ganhos de cada um.

E também não podemos nos esquecer de que, em grande parte das regiões que sofrerão o reajuste de forma acentuada, há um grande contingente de cidadãos que adquiriram seus imóveis há muitos anos, quando não há décadas, simplesmente para moradia própria, e não para fins especulativos, muitos deles já aposentados, e sua renda não acompanha tantos reajustes. Ademais, a rápida valorização de muitos imóveis nestas regiões, cenário oposto ao de anos anteriores que permitiu que muita gente de média renda comprasse imóveis em excelentes bairros, também comprova que grande parcela da população não acompanhará o aumento.

A elevação da tarifa do transporte público é outro exemplo de como o prefeito pode ter agido mais por impulsividade – diante de um valor que não aumentava desde 2011 na gestão Kassab – do que através de uma análise mais acurada para averiguar se a elevação seria realmente necessária. Pressionado pelas manifestações de junho, ele foi obrigado a reduzir o valor da passagem, mas já alertara, desde então, que para compensar a redução mexeria na alíquota do IPTU, o que, convenhamos, não seria o imposto mais adequado para promover melhorias na mobilidade urbana, já que não se tratam de setores correlatos.

Portanto, é preciso estabelecer um maior equilíbrio neste tipo de cobrança de modo a não provocar um rombo ainda maior no bolso do contribuinte. 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

domingo, 27 de outubro de 2013

A derrota do etanol para o preço congelado da gasolina


Início do século XXI: o Brasil se preparava para retomar o aumento dos investimentos na produção do etanol, diante de uma possível escassez do petróleo e aumento da poluição ambiental. Com a invenção do motor flex – cujas vendas ultrapassaram a faixa de 80% dos carros produzidos no país – e os baixos valores do biocombustível na época, já que o custo de produção da cana-de-açúcar era o menor do mundo, sua crescente demanda se acentuou nos anos 2000, fazendo do Brasil o segundo maior produtor de etanol do planeta e maior exportador mundial.

Este cenário confortável durou até 2009, quando os empresários subiram os preços do álcool, que deixou de apresentar vantagem competitiva frente à gasolina, com drástica redução de sua venda, o que os motivou a investir na produção do açúcar, que obtinha preços melhores no mercado.

Passados quatro anos do boom brasileiro do chamado combustível verde, o panorama apresentado mudou, já que, temendo uma escalada descontrolada da inflação, o governo segurou os preços dos derivados de petróleo. Diante disto, a demanda de gasolina e diesel está cada vez mais alta por causa de seus preços congelados, ao contrário do álcool, todavia se equivoca quem pensa que isto foi bom para a Petrobrás, já que o Brasil vem enfrentado uma série de entraves para o crescimento econômico, como a elevação da inflação e do dólar. Com isso, o país optou por reduzir sua produtividade e fomentar ainda mais o consumo através da não alteração da política de preços, como foi o caso do combustível.


Se, aliado a uma política de preços mais justa por parte dos produtores alcooleiros, o governo adotasse medidas tais como o corte de despesas públicas e repasse de aumentos – é o caso da Petrobrás que, diante da queda na produção e elevação da demanda, é obrigada a importar mais combustível a preços altíssimos, sem poder repassar o valor aos consumidores finais – o etanol ganharia mais fôlego para entrar na competitividade e ajudar a equilibrar a economia, reduzindo a inflação. Pois, mesmo que o bom crescimento da safra de cana e o incentivo fiscal concedido às usinas de etanol tenham contribuído para um pequeno aumento de suas vendas, ainda há muito que se fazer para fortalecê-lo no mercado.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A alta do dólar deveria assombrar tanto a economia brasileira?


Ocorrida em setembro de 2008, parece que foi ontem que os EUA sentiam na pele as consequências de uma recessão econômica que levou o dólar à sua desvalorização. Agora, passados cinco anos de crise, a nação norte-americana se recuperou da queda e sua moeda está cada vez mais fortalecida. Apenas em agosto deste ano, o dólar comercial chegou a ser cotado a 2,45 reais, registrando a maior alta desde 2008.

Sua alta acumulada, somente nos últimos três meses, chegou a 20%, refletindo-se negativamente sobre o Brasil a curto prazo em várias vertentes: na importação, implicando em alto custo dos produtos importados e um peso muito maior no bolso dos brasileiros, na alta inflacionária em razão dos maiores gastos governamentais (para conter essa inflação, o Banco Central priorizou a elevação dos juros por meio do aumento da taxa Selic) – todo este cenário contribui para emperrar ainda mais o já estagnado PIB brasileiro, cuja estimativa de crescimento está abaixo dos 2% – e o muito provável reajuste do preço dos combustíveis brasileiros, já que a Petrobrás vem arcando com um grande aumento do diesel e da gasolina estrangeiros, ainda não repassado aos consumidores aqui.

Porém, analisando a conjuntura econômica do Brasil, veremos que todo esse cenário pós-desvalorização do real diante do dólar está mais ligado a fatores internos do que externos. Nos últimos anos o governo fomentou o consumo interno, mas reduziu investimentos imprescindíveis na produtividade e infraestrutura brasileira. Além disso, quando o dólar estava desvalorizado, muitos setores nacionais investiram acima de sua capacidade, estimulados também pela oferta de crédito e redução de juros, contribuindo para contrair dívidas que agora apresentam resultados alarmantes, cenário que espanta ainda mais os investidores estrangeiros.

Portanto, a decolagem do dólar requer medidas urgentes no Brasil, como reforma estrutural e aumento da produtividade. Privatizações para reforma no setor de transporte, aliviando o caixa estatal, pode ser um bom começo para que o país consiga ganhar fôlego.

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

domingo, 18 de agosto de 2013

Por que, mesmo com o alívio da inflação, a economia brasileira ainda soa o alarme


O ano de 2013 tem sido muito intenso para o Brasil, uma vez que o país vem vivendo um marco histórico depois da redemocratização. Nunca, desde o período do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, clamores de todos os lugares do país bradaram tão alto e unidos em prol de condições adequadas de educação, saúde, segurança, transporte, lisura no trato com a coisa pública, enfim... todos os aspectos que devem listar como prioridade na lista de deveres essenciais dos governantes em todos os níveis para com o povo.

Mas, infelizmente, mesmo com a conquista da democracia, a população brasileira não deixou de ser manipulada como verdadeiro fantoche nas mãos de políticos conforme seus interesses, principalmente dos corruptos, que se aproveitam do suor de cada trabalhador brasileiro convertido em impostos, para benefícios próprios. Cansada de se sentir dentro de um circo como palhaça pisoteada pelos “mágicos” governantes, que fazem o dinheiro destinado às melhorias sociais sumir num piscar de olhos, a população continua a cobrar resultados imediatos de investimentos, principalmente nos setores mais carentes da sociedade.

Visando demonstrar atenção e preocupação com todas as reivindicações feitas pelos manifestantes, os governantes tomaram algumas medidas para tentar abrandar o gigante – sendo a principal delas a redução das tarifas do transporte público – depois que movimentos revoltosos praticamente estagnaram o país durante o mês de junho. Tal medida serviu para suavizar os clamores populacionais da forma como o governo desejava, no entanto, a medida serviu muito mais como uma solução imediata para conter a revolta da população – principalmente por estarmos próximos do período eleitoral – momento sagrado para a maioria dos governantes que se sujeita a tudo em troca de votos – do que algo realmente pensado para trazer benefícios à nação.

Em períodos de recessão europeia, cuja durabilidade parece se eternizar tamanha a gravidade do problema, o Brasil precisa voltar os olhos cada vez mais para si e tomar outras medidas que realmente poderão reverter seu cenário para melhor, como estimular ainda mais sua competitividade interna para acelerar o desempenho produtivo do país e girar a roda econômica numa velocidade muito mais alta, impulsionando seu pífio PIB.

Mesmo com a alta do dólar, a produção interna, que em tese deveria estar em melhor patamar, não vem recebendo o fomento necessário para alavancar o PIB brasileiro, que permanece praticamente congelado – quando o dólar sofre uma acentuada desvalorização, o país tende a importar maior quantia de produtos reduzindo a competitividade nacional e prejudicando sua própria produção interna, como ocorreu nos idos de 2001 – quando o dólar praticamente bateu na casa dos quatro reais – cenário este que espera se reverter com a valorização da moeda estrangeira, já que o país, na teoria, tende a voltar mais para o consumo interno em razão da elevação dos preços dos produtos estrangeiros.

Mas, mesmo com o dólar em alta, o Brasil não se sentiu estimulado a fomentar investimentos nacionais em sua produção interna industrial, por exemplo, e o resultado foi um cenário marcado por uma quantidade insuficiente de produtos para atender a demanda crescente dos consumidores.

Paralelamente, a presidente Dilma propiciou condições aos agentes financeiros para aumento da disponibilidade e facilidades na concessão de créditos visando, em primeiro plano, melhoria das condições de vida da população, com consequente incremento da produção – impulsionando assim a economia interna e, claro, lograr dividendos eleitorais. Entretanto, tais agentes não tomaram os cuidados devidos estabelecendo critérios e filtros adequados, devendo ter restringido um pouco mais a concessão de crédito, já que um estímulo desenfreado certamente acabaria em endividamento de muitas pessoas, principalmente as de baixa renda que possuem dificuldades em saber controlar gastos e não estavam habituadas com a facilidade de crédito, já que muitos acabaram de ascender à classe C.

Acostumados a se aproveitar dessa conjuntura, empresários e o comércio em geral aplicaram a lei da oferta e da procura e a consequência seguinte foi um aumento dos preços acompanhado da elevação da inflação. Todavia, no mês de julho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou uma pequena mudança neste cenário ao registrar um aumento de apenas 0,03%, o resultado mensal mais baixo em três anos.

De qualquer forma essa estagnação inflacionária não é digna de comemoração, por menor que seja, já que a taxa ainda continua muito acima da meta de 4,5% e quase próxima ao limite máximo permitido de 6,5%. Outro quesito que deve servir de alerta principalmente para os governantes, que tentam transformar qualquer pequena mudança positiva em verdadeiro milagre econômico a fim de conquistar mais votos, é que o país teve uma queda de preço, principalmente em relação ao setor alimentício, devido ao fator sazonal, que contribuiu para aumento da produtividade e redução da inflação – e mesmo assim tal redução não significou o retorno dos preços aos patamares anteriores à crescente elevação da inflação, o que aconteceu é que as taxas inflacionárias impulsionaram um aumento tão assustador do valor de certos alimentos, como o tomate por exemplo, que a acentuada diminuição dos preços levou a mera ilusão de que o cenário econômico, neste quesito, se normalizava voltando aos valores anteriores.

A redução das tarifas de transporte público também foi essencial para este cenário. Porém, a imediata redução das passagens no momento periga se converter num aumento muito maior no futuro, dada a forma como as medidas foram tomadas, diante de tamanha pressão populacional o que, por sua vez, poderá acarretar em elevações inflacionárias mais adiante.

Uma medida que passou a ser defendida pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para combater o risco deste aumento seria a elevação dos preços dos combustíveis para subsidiar o transporte público, como também para resgatar a condição financeira aos acionistas da Petrobrás, aumento este defendido por setores empresariais e financeiros interessados nos lucros dos combustíveis e das ações. A empresa no momento arca com maiores gastos em razão da alta do dólar, mas este aumento, por enquanto, não chega ao consumidor final já que a presidente Dilma optou por conter o preço do combustível num patamar razoável e assim a Petrobrás acaba saindo no prejuízo por gastar mais do que ganha para novos investimentos. Trata-se realmente de uma “faca de dois gumes”, já que qualquer medida que pese mais no bolso do contribuinte implica num repasse em cadeia ao preço dos produtos, e quem paga a conta sempre é a ponta da cadeia, ou seja, o consumidor, implicando em alta da inflação, fato que resultará numa insatisfação popular maior ainda, cujo resultado tem sido visto pelas ruas.

Ao analisar todos estes cenários, podemos chegar à conclusão que o Brasil está tentando se equilibrar por medidas superficiais, que tentam sobreviver sobre uma raiz podre, a qual deve ser alterada para que a nação decole de vez. Ou seja, enquanto os corruptos e sua podridão não forem punidos como merecem, extirpando o mal pela raiz, de nada adiantará adotar soluções que crescem sobre uma base podre. Pois, por mais que o governo tente disponibilizar recursos para promover a melhoria populacional em tantos aspectos, quase nada será feito se estes financiamentos estão sob as mãos de “lobos”, que desviam de seus objetivos abocanhando as verbas para si próprios, enquanto tantos cidadãos morrem vítimas de segurança, saúde e alimentação precárias ocultadas por estatísticas que omitem uma realidade muito mais obscura. Isso sem falar na educação,  itens primordiais para capacitar a população a correr atrás dos demais setores citados acima.

Tomemos como exemplo mais este caso de corrupção, entre inúmeros outros, que estourou recentemente na mídia, referente ao esquema de cartel combinado entre as empresas que participaram dos processos de licitações para investimentos no setor de transporte, entre os anos de 1998 e 2008. Encabeçando o esquema corrupto, a gigante alemã Siemens, que também conta com um histórico de ilegalidades em outros países, tinha como principal objetivo eliminar a competitividade entre as companhias concorrentes, que disputaram em leilão os recursos oriundos do governo para investir no transporte, de modo que a gigantesca alemã seria sempre a escolhida para participar dos contratos de licitação com o governo.

Embora ainda não comprovado oficialmente, não faltaram afirmações sobre a possibilidade da imensa quantia de propina paga aos governantes para fazerem vista grossa a todo o esquema e facilitar o vencimento da empresa nos leilões, o que certamente é de praxe para permitir tamanha armação empresarial, ou será que os governantes não se deram conta do cartel que era formado embaixo de seus narizes e por isso passaram ilesos a eles? Afirmam que jamais tentariam se aproveitar da situação. É mais fácil os personagens de contos de fada ganharem vida do que tal hipótese ser verdadeira.

Enfim, são esquemas como esse e tantos outros que preenchem os espaços de jornais, revistas, sites e telejornais que apenas confirmam a urgente realidade de se combater um mal que praticamente cresceu com o Brasil como um câncer de nascença: a corrupção, cuja extirpação será determinante para o país crescer continuamente sem oscilações.

 Por Mariana da Cruz Mascarenhas